Faltando apenas 24 dias para Guto Silva deixar o cargo, ACIFI apresenta os problemas da cidade
Por Tribuna Foz dia em Notícias
Secretário está no governo a 7 anos
Faltando apenas 24 dias para Guto Silva deixar o cargo, ACIFI apresenta os problemas da cidade
ACIFI lembra das demandas da cidade… faltando só 24 dias para o secretário sair
Enrique Alliana - Jornalista
Em política existe um fenômeno curioso: quanto mais tempo alguém fica no poder, mais fácil fica esquecer que já está lá há muito tempo. E é exatamente esse fenômeno que parece ter atingido em cheio o secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva.
"Depois de 7 anos no governo, Guto Silva descobre que Foz tem problemas"
Depois de "sete anos" no governo de Ratinho Junior, eis que surge um encontro solene, organizado pela ACIFI (Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu), para apresentar… os problemas da cidade. Isso mesmo: depois de quase uma década de governo, decidiram avisar agora quais são as demandas de Foz do Iguaçu.
A cena é quase cinematográfica. Empresários, lideranças locais e discursos sérios, todos reunidos para explicar ao secretário aquilo que, teoricamente, ele já deveria saber desde que assumiu o cargo. Afinal, sete anos não são exatamente um estágio probatório. Dá tempo de aprender o nome das ruas, dos bairros, dos rios e até dos problemas da cidade.
"ACIFI acorda tarde e pede milagre administrativo de fim de mandato"
Mas parece que a ficha caiu apenas agora, faltando 24 dias para Guto Silva deixar o cargo.
A pergunta inevitável surge no ar, quase implorando por resposta: será que aquilo que não foi resolvido em sete anos será milagrosamente solucionado em três semanas e alguns trocados?
Talvez a ACIFI esteja apostando em algum tipo de política relâmpago. Quem sabe um programa chamado “Infraestrutura Vapt-Vupt”. O secretário entra no gabinete num dia, resolve tudo no outro e, no terceiro, inaugura obras que estavam prometidas desde o início do governo.
Entre as prioridades apresentadas está a famosa trincheira do CTG Charrua, aquela mesma que já foi anunciada, prometida e praticamente inaugurada em discurso pelo prefeito Joaquim Silva e Luna. Na época, parecia que a obra estava tão certa que faltava apenas combinar com a realidade.
Quase uma revelação antecipada de informações cruciais que na verdade tem um projeto de ambição próprio, onde a sociedade que ali vive ficará de fora.
O resultado é que a trincheira virou mais um item da coleção de promessas urbanísticas que vivem apenas no PowerPoint das autoridades.
"Empresários cobram pressa: secretário só tem mais 24 dias para prometer"
Mas a reunião não parou por aí. Outro tema “fundamental” apresentado foi a pressão para impedir a captação de água do Rio Tamanduá pela SANEPAR.
Aqui começa a parte mais interessante da história.
Acontece que vários empresários compraram grandes áreas de terra no entorno do rio, muitas delas adquiridas a preço de banana, apostando que um dia a expansão urbana transformaria tudo em condomínios de luxo. Só que havia um pequeno detalhe inconveniente chamado, legislação ambiental.
E, como a natureza costuma ser pouco flexível com interesses imobiliários, o projeto encontrou obstáculos.
Agora, de repente, o discurso mudou: não se trata mais de lucro imobiliário, mas de “defesa da cidade”. Não é sobre valorização de terrenos, é sobre “planejamento urbano”. E não é sobre condomínios milionários, é sobre “crescimento sustentável”.
Um verdadeiro milagre semântico.
"ACIFI pede pressa: afinal, só restam 24 dias de governo"
Durante o encontro, o presidente da ACIFI, Danilo Vendruscolo, afirmou que essas obras são fundamentais para o desenvolvimento de Foz do Iguaçu.
Pode até ser.
Mas fica difícil não perceber que, quando alguns setores falam em “desenvolvimento da cidade”, muitas vezes estão falando na verdade, sobre o desenvolvimento do próprio patrimônio.
Afinal, transformar áreas baratas em condomínios de luxo sempre foi uma das formas mais rápidas de enriquecer no Brasil. Basta uma canetada aqui, um ajuste ambiental ali e pronto: a paisagem vira empreendimento imobiliário.
No fim das contas, o encontro da ACIFI acabou levantando uma dúvida simples e constrangedora:
Se essas demandas são tão urgentes, por que apareceram apenas agora, quando o secretário está prestes a sair do cargo?
Talvez seja apenas coincidência.
"Milagre administrativo: resolver em 24 dias o que não saiu em 7 anos"
Ou talvez seja aquele velho hábito da política brasileira: descobrir os problemas da cidade justamente quando já não há mais tempo para resolvê-los.
Convenhamos, é uma estratégia genial.
Se der certo, vira mérito.
Se não der, culpa-se o próximo governo.
E assim segue a vida pública, onde sete anos passam voando, mas milagres administrativos continuam sendo prometidos para acontecer em apenas 24 dias.
