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Ala do Hospital Municipal inaugurado na pandemia virou deposito de materiais inservíveis

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Ala do Hospital Municipal inaugurado na pandemia virou deposito de materiais inservíveis
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AQUÁRIO FANTASMA

Ala do Hospital Municipal inaugurado na pandemia virou deposito de materiais inservíveis

Dos leitos de última geração ao depósito de sucata

Em julho de 2020, em meio ao auge da pandemia, Foz do Iguaçu assistiu à inauguração de uma obra apresentada como símbolo da modernidade hospitalar. O então prefeito Chico Brasileiro abriu as portas da chamada Unidade de Cuidados Especiais do Hospital Municipal Padre Germano Lauck, um espaço com 21 leitos equipado com o que havia de mais moderno na época. Camas elétricas, ventiladores pulmonares, monitores multiparâmetros, sistema de filtragem de ar com filtro HEPA, pontos para hemodiálise e até estrutura para funcionar como UTI. Era praticamente uma nave espacial pousada no quintal do hospital.

O discurso era bonito. Falava-se em atendimento humanizado, qualidade assistencial e capacidade de resposta para enfrentar a maior crise sanitária da história recente. Tão novo e reluzente era o local que os próprios profissionais da saúde passaram a chamá-lo de "Aquário". Diziam que só os considerados peixes da administração poderia trabalhar no local.

O problema é que o tempo passou. A pandemia foi embora, as máscaras saíram dos rostos, os boletins epidemiológicos desapareceram das manchetes e o General Joaquim Silva e Luna assumiu a Prefeitura, e o Aquário virou uma espécie de atração arqueológica da gestão pública. Quase seis anos depois, aquilo que nasceu para salvar vidas está servindo para guardar materiais inservíveis.

Sim, a estrutura que custou milhões aos cofres públicos hoje tem uma função nobre: armazenar objetos que ninguém sabe onde colocar.

Enquanto isso, pacientes continuam espalhados pelos corredores do Hospital Municipal. Macas improvisadas disputam espaço com cadeiras, acompanhantes e profissionais sobrecarregados. A cena é conhecida por qualquer cidadão que já precisou buscar atendimento na unidade.

E aí surge a pergunta que incomoda mais do que um ventilador quebrado em pleno verão: por que existe uma ala pronta, equipada e fechada enquanto pacientes permanecem nos corredores?

Será que os equipamentos modernos ficaram tímidos? Será que os leitos resolveram aderir ao home office? Ou será que existe alguma lógica administrativa tão avançada que o cidadão comum ainda não conseguiu compreender?

Talvez a resposta esteja na velha tradição brasileira de inaugurar obras para fotografias e não para utilização permanente. A placa é instalada, o discurso é feito, as autoridades sorriem para as câmeras e depois o tempo se encarrega de transformar a novidade em esquecimento.

O mais curioso é que, quando se fala na necessidade de mais recursos para a saúde, o argumento frequentemente utilizado é a superlotação. Mostram-se corredores cheios, filas intermináveis e falta de espaço. Tudo verdadeiro. Mas a existência de uma ala fechada dentro do próprio hospital também é uma verdade difícil de ignorar.

Afinal, qual mensagem passa para a população uma estrutura pronta que permanece trancada enquanto faltam vagas para pacientes? Que tipo de planejamento transforma uma unidade hospitalar moderna em almoxarifado de objetos sem utilidade?

O Aquário de ontem virou o depósito de hoje. Os peixes desapareceram, os pacientes continuam procurando atendimento e os corredores seguem fazendo o papel que deveria ser dos leitos.

Talvez a verdadeira especialidade daquela Unidade de Cuidados Especiais nunca tenha sido tratar pessoas. Talvez sua função histórica tenha sido outra: servir como cenário de inauguração, render manchetes positivas e produzir belas fotografias institucionais.

Porque, no fim das contas, para quem espera atendimento digno, a sensação é de que o hospital continua lotado de pacientes, mas vazio de explicações.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 437, página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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