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GUARDA MUNICIPAL - A segurança da bolha: Quando o perigo mora sempre na casa dos outros

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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GUARDA MUNICIPAL

A segurança da bolha: Quando o perigo mora sempre na casa dos outros

Segurança pública não se mede pela tranquilidade de quem mora atrás de guaritas e vigilantes particulares

Falhas existem em qualquer lugar do mundo. Nenhum sistema é perfeito, nenhuma gestão é infalível e nenhuma cidade está completamente livre da criminalidade. Mas existe uma diferença gigantesca entre reconhecer problemas e fingir que eles não existem. Em Foz do Iguaçu, parece que alguns gestores públicos escolheram a segunda opção.

Enquanto moradores relatam furtos, roubos, vandalismo e uma crescente sensação de insegurança, existe uma parcela privilegiada da administração municipal que aparentemente vive em uma realidade paralela, uma espécie de universo alternativo onde tudo funciona perfeitamente e a criminalidade é apenas uma lenda urbana contada pelos jornais.

De um lado está o secretário de Segurança Pública Almirante Tinoco, protegido pelo conforto de um condomínio onde os muros parecem até dispensáveis diante da presença de vigilância privada armada. Do outro, o diretor da Guarda Municipal, instalado em um prédio que mais se assemelha a uma fortaleza medieval moderna, com porteiro 24 horas, monitoramento constante e toda a tranquilidade que o cidadão comum gostaria de ter.

É fácil acreditar que a cidade está segura quando o perigo precisa passar por portões eletrônicos, câmeras, vigilantes e porteiros antes de chegar até você.

Enquanto isso, o restante da população enfrenta uma realidade um pouco diferente. O comerciante que fecha as portas com medo de encontrar tudo arrombado no dia seguinte. O trabalhador que volta para casa olhando para trás a cada esquina. O morador que instala grades, cercas elétricas, alarmes e ainda assim dorme preocupado.

Mas, segundo alguns discursos oficiais, o problema seria apenas a falta de efetivo. Será mesmo? Porque, observando certas situações, surge uma dúvida inevitável: falta efetivo nas ruas ou sobra efetivo dentro dos escritórios?

"Dois guardas, duas pranchetas e nenhuma surpresa"

Na sede da Guarda Municipal existe um exemplo quase didático de como transformar profissionais treinados e armados em anotadores de luxo. Dois guardas municipais permanecem na portaria realizando funções administrativas. Um registra placas de veículos. Outro registra nomes de visitantes. Ambos equipados, armados e recebendo salários que se aproximam dos R$ 15 mil mensais.

Não há qualquer desmerecimento na atividade de controle de acesso. O questionamento é outro: será que essa é realmente a melhor utilização possível de agentes preparados para atuar na segurança pública?

Afinal, em qualquer empresa minimamente preocupada com eficiência administrativa, tarefas dessa natureza poderiam ser desempenhadas por servidores administrativos, estagiários ou programas informatizados. Mas a criatividade gerencial não para por aí.

"Enquanto o crime corre, a escala caminha"

Existe também o que alguns servidores já apelidaram de "GTE" o famoso Grupo Tático de Escala. O nome sugere uma equipe de elite pronta para enfrentar criminosos perigosos. A realidade é menos cinematográfica. Quatro servidores são responsáveis pela elaboração e gerenciamento das escalas de serviço. Quatro. Vale lembrar que em períodos anteriores, quando o efetivo da Guarda Municipal era significativamente maior, apenas um servidor realizava essa mesma tarefa utilizando papel, caneta e experiência.

Hoje, na era dos computadores, sistemas informatizados e automação administrativa, a atividade aparentemente exige uma força-tarefa completa: um dirige, outro auxilia, um supervisiona e outro publica.

Uma verdadeira operação de guerra contra as planilhas. Enquanto isso, as ruas continuam aguardando reforços. O mais curioso é que esse grupo não patrulha bairros, não realiza abordagens, não protege praças nem combate a criminalidade que cresce do lado de fora dos portões da própria corporação.

Talvez por isso a população tenha a sensação de que existe uma distância cada vez maior entre quem administra a segurança pública e quem precisa dela.

"Quem mora na bolha não escuta as sirenes"

A gestão do prefeito General Silva e Luna parece caminhar dentro de uma bolha administrativa cuidadosamente isolada da realidade cotidiana. Lá dentro, os relatórios podem até parecer organizados, as escalas perfeitamente distribuídas e as apresentações institucionais impecáveis.

Aqui fora, entretanto, o cidadão continua trancando portões, reforçando grades e torcendo para que a próxima ocorrência não aconteça justamente na sua rua.

Porque segurança pública não se mede pela tranquilidade de quem mora atrás de guaritas e vigilantes particulares. Segurança pública se mede pela sensação de proteção de quem espera o ônibus, abre o comércio, volta do trabalho ou simplesmente tenta viver em paz.

E essa conta, infelizmente, os moradores de Foz do Iguaçu conhecem muito bem.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 436, página 16, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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