Cabo Cassol apoia deputado paraquedista em meio à controvérsia sobre racismo
Por Tribuna Foz dia em Notícias
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS?
Cabo Cassol apoia deputado paraquedista em meio à controvérsia sobre racismo
Coerência vale para todos ou apenas para os adversários. Seria falso moralismo ou fidelidade política?
Na política, coerência costuma ser um patrimônio raro. Mais raro ainda quando o discurso moralizante precisa sobreviver ao confronto com os próprios aliados. Em Foz do Iguaçu, esse debate volta ao centro das atenções diante da atuação do vereador Cabo Cassol (PL), que tem declarado publicamente seu apoio ao deputado federal Sargento Fahur e sua intenção de fortalecer a candidatura do parlamentar na região.
A primeira pergunta é inevitável: por que um vereador eleito para representar os interesses de Foz do Iguaçu dedica seus esforços eleitorais a um deputado de outra região do Paraná? O Partido Liberal possui diversas lideranças espalhadas pelo Estado, inclusive na região Oeste. Ainda assim, a opção foi concentrar apoio em um parlamentar cuja base política está distante dos problemas cotidianos enfrentados pelos iguaçuenses.
Aliado do Ver. Cabo Cassol apoia proposta que gera alerta sobre racismo
O debate ganhou novos contornos após a aprovação, na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, do Requerimento nº 308/2026, subscrito por Sargento Fahur juntamente com Capitão Alden (PL-BA), Sargento Gonçalves (PL-RN) e Alberto Fraga (PL-DF).
A proposta não altera imediatamente a Lei do Racismo, mas autoriza que seja apresentada ao Plenário uma emenda ao Projeto de Lei nº 896/ 2023. O texto prevê uma ressalva segundo a qual manifestações de natureza religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política não configurariam crime, salvo quando houvesse incitação direta e inequívoca à violência ou à discriminação.
Juristas e críticos da iniciativa apontam que essa redação poderá ampliar discussões judiciais sobre os limites entre liberdade de expressão e condutas discriminatórias, permitindo que determinadas manifestações sejam defendidas como opiniões ou convicções, cabendo ao Judiciário analisar cada caso concreto.
Quando a moral seletiva encontra a conveniência política
Quem constrói sua imagem política com discursos rigorosos sobre segurança pública e cumprimento da lei naturalmente desperta expectativas igualmente rigorosas quanto à coerência de suas posições.
Também chama atenção a frequência com que vídeos e declarações de Sargento Fahur são reproduzidos nas redes sociais de seus apoiadores, exaltando confrontos policiais e utilizando slogans conhecidos como "dois CPF cancelados". Trata-se de uma retórica que desperta forte apoio entre alguns setores da sociedade, mas também recebe críticas de especialistas e defensores dos direitos humanos, que alertam para os riscos de simplificação de temas complexos relacionados à segurança pública.
A política exige coerência
O eleitor costuma aceitar divergências. O que dificilmente aceita é a percepção de incoerência. Se um representante público defende que a lei deve ser aplicada com firmeza, essa mesma firmeza tende a ser cobrada quando seus aliados assumem posições que provocam intenso debate jurídico e constitucional. Não basta exigir rigor apenas para os adversários políticos; coerência significa aplicar o mesmo critério aos próprios aliados.
A democracia pressupõe liberdade de expressão, mas também estabelece limites quando direitos fundamentais, como a proteção contra a discriminação racial, entram em discussão. É justamente nesse equilíbrio delicado que o Parlamento, o Judiciário e a sociedade são chamados a atuar.
No fim das contas, cabe ao eleitor responder uma pergunta simples: o representante está priorizando os interesses de sua cidade e mantendo coerência entre discurso e prática, ou apenas reproduzindo a agenda política de lideranças nacionais? Em uma democracia, essa avaliação pertence exclusivamente à população, nas urnas.
Afinal bandido bom é bandido morto?
O pior de tudo isso, é que o Vereador Cabo Cassol república nas suas redes sociais vídeos do Deputado Sargento Fahur brindando quando policiais militares matam em confronto. Afinal para eles "bandido bom é bandido morto". Cabo Cassol publicou "Aço nós malandros".
Mas afinal, o ex-presidente Jair Bolsonaro também é considerado um bandido para o Poder Judiciário, tanto é que esta cumprindo pena de 27 anos de prisão por inúmeros crimes cometidos.
Ou será que existe bandido bom entre bandidos?
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 439, página 12, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

