Tribuna Foz - Tribuna Foz

CONTRADIÇÃO MILIONÁRIA: CIS movimenta cifras milionárias, enquanto trabalhadores temem cortes e demissões

Por Tribuna Foz dia em Notícias

CONTRADIÇÃO MILIONÁRIA: CIS movimenta cifras milionárias, enquanto trabalhadores temem cortes e demissões
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp

CONTRADIÇÃO MILIONÁRIA

CIS movimenta cifras milionárias, enquanto trabalhadores temem cortes e demissões

R$ 180 milhões em contratos e a economia começa no holerite? Afinal contratos engordam e o holerite pode entrar na dieta

 

De um lado, contratos públicos que chegam à casa das dezenas, e até centenas, de milhões de reais. Do outro, trabalhadores olhando para o próprio holerite e se perguntando se aquele valor que recebem desde o início das atividades da empresa continuará existindo no próximo mês.

É nesse contraste nada confortável que a CIS – Centro Integrado em Saúde Ltda. passou a ser observada em Foz do Iguaçu.

A empresa mantém contratos de grande porte para prestação de serviços de saúde financiados com recursos públicos. Mas, segundo relatos de funcionários, estaria discutindo a retirada de um Adicional/Prêmio pago desde o começo de sua operação no município.

E a história fica ainda mais preocupante.

Trabalhadores afirmam ter ouvido que, diante da necessidade de redução de custos, haveria praticamente duas portas: mexer na remuneração ou promover a demissão de aproximadamente 30% do quadro.

É importante deixar claro: a informação sobre possíveis demissões é atribuída aos trabalhadores e não deve ser apresentada como posição oficial da CIS sem manifestação formal da empresa.

Mas isso não diminui o clima de apreensão. Afinal, contrato milionário pode ser uma cifra numa página. Salário, para quem trabalha, é comida na mesa.

Quando a tesoura procura o holerite

Segundo os funcionários, o centro da discussão é justamente o Adicional/Prêmio recebido de forma recorrente desde o início das atividades da CIS em Foz do Iguaçu.

E surge uma pergunta inevitável: quando aparece a necessidade de economizar, por que a tesoura parece encontrar tão rapidamente o caminho do bolso do trabalhador?

Planilhas empresariais são extraordinárias. Nelas, salários podem aparecer apenas como “custos”, adicionais viram “despesas” e funcionários são transformados em números numa coluna.

Na vida real, a matemática é diferente.

O adicional ajuda a pagar supermercado, aluguel, prestação, combustível, escola, medicamento e energia elétrica. É dinheiro que já integra o orçamento de famílias que dependem daquela remuneração.

E quando surge a informação de que aproximadamente 30% do quadro poderia ser dispensado caso os custos não sejam reduzidos, o debate deixa de ser apenas sobre um adicional. Passa a ser sobre emprego.

Dia 4: o Sindicato da Saúde precisou entrar em campo

A tensão ganhou contornos concretos em 4 de setembro de 2026. Diante do problema envolvendo o pagamento do Adicional/Prêmio, representantes do Sindicato precisaram comparecer à empresa para cobrar uma solução.

Segundo informações dos trabalhadores, depois da intervenção sindical, o pagamento foi realizado.

Problema resolvido? Não exatamente. Pode ter sido resolvido o capítulo daquele momento, mas ficou aberta uma questão muito maior: o que acontecerá daqui para frente?

Se existe intenção de retirar definitivamente um pagamento feito de maneira habitual, caberá analisar as condições em que foi instituído, sua natureza e os eventuais efeitos trabalhistas de sua supressão.

É justamente aí que a presença sindical ganha importância.

Porque, aparentemente, quando o assunto envolve milhões em contratos, existem gestores, assessorias e planilhas. Quando chega ao contracheque de quem trabalha, é bom que alguém também esteja sentado à mesa representando o outro lado.

R$ 144 Milhões: A cifra que chama atenção

A situação ganha dimensão ainda maior quando são observados os contratos públicos envolvendo a CIS.

Em 3 de fevereiro de 2026, o Fundo Estadual de Saúde do Paraná – FUNSAÚDE formalizou contrato com a empresa para prestação de serviços ambulatoriais e hospitalares aos usuários do Sistema Único de Saúde.

Valor global previsto: R$ 144 milhões.

A vigência alcança cinco anos, até fevereiro de 2031.

É indispensável fazer uma distinção: R$ 144 milhões representam o valor previsto no instrumento contratual, e não necessariamente dinheiro já depositado na conta da empresa. Os pagamentos dependem da execução dos serviços e das regras administrativas e contratuais.

Feita essa ressalva. Necessária para não transformar contrato em faturamento imaginário. O número continua sendo expressivo. Muito expressivo.

Principalmente quando trabalhadores da operação local relatam preocupação com redução da remuneração e eventual corte de empregos.

 

E TEM MAIS

Outro contrato de R$ 36,54 milhões

Registros públicos apontam ainda outro instrumento envolvendo o Fundo Estadual de Saúde e a filial da CIS vinculada a Foz do Iguaçu, no valor aproximado de R$ 36,54 milhões, relacionado a serviços ambulatoriais especializados.

Considerados os valores globais previstos nesses dois instrumentos estaduais de 2026, chega-se a aproximadamente R$ 180,54 milhões em contratos envolvendo a operação vinculada ao município.

Novamente: contrato não é sinônimo de dinheiro recebido. Mas também não é trocado de padaria.

Estamos falando de uma relação econômica robusta com o poder público e, consequentemente, de recursos que exigem transparência quando surge uma aparente contradição entre a dimensão dos contratos e a insegurança vivida pelos trabalhadores.

Guarapuava: Mais R$ 82,5 milhões no mapa

A atuação da CIS no Paraná não termina em Foz do Iguaçu.

A empresa também foi vencedora de contratação conduzida pela Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná – FUNEAS para serviços no Hospital Regional do Centro-Oeste, em Guarapuava.

O instrumento supera R$ 82,5 milhões e contempla serviços médicos, equipe multidisciplinar, equipamentos, materiais médico-hospitalares, medicamentos e insumos necessários ao atendimento pelo SUS.

Ou seja: a CIS participa de operações públicas de grande porte. E justamente por isso não parece absurdo esperar respostas claras quando trabalhadores dizem estar diante da possibilidade de perder parte da remuneração ou até o emprego.

Não se trata de condenar previamente a empresa. Trata-se de perguntar. E perguntar, especialmente quando há dinheiro público envolvido, ainda não virou crime.

Guarapuava já teve impasse

A relação entre a CIS e trabalhadores também ganhou repercussão em Guarapuava.

Profissionais ligados à terceirizada enfrentaram impasse relacionado ao piso nacional da enfermagem, envolvendo cerca de 280 trabalhadores do Hospital Regional do Centro-Oeste, conforme informações publicadas à época.

Agora, em Foz do Iguaçu, a discussão possui outra natureza, mas novamente desemboca na mesma parte da estrutura: quem está na ponta prestando o serviço.

E hospital não funciona com contrato impresso, carimbo ou número de processo. Hospital funciona com gente.

Se há crise, abram os números

Se realmente existe uma situação financeira capaz de justificar redução de despesas com pessoal, há uma maneira bastante simples de diminuir as especulações: transparência.

Houve redução de repasses? Existe atraso? A operação apresenta déficit? Qual o peso do Adicional/Prêmio na folha? Quanto sua eventual retirada representaria de economia?

E, principalmente: existe ou não risco de demissão de aproximadamente 30% dos trabalhadores?

As respostas são importantes porque, quando o discurso de contenção chega primeiro ao salário de quem está na ponta, é natural que apareça desconfiança.

Ainda mais quando, do outro lado da mesa, estão contratos com tantos zeros que é preciso contar com calma.

Milhões no papel, contas na geladeira

Existe uma diferença brutal entre enxergar dinheiro como gestor e enxergá-lo como trabalhador. Para uma empresa, determinado adicional pode representar percentual da folha. Para o funcionário, pode representar a compra do mês. Para uma planilha, cortar funcionários significa reduzir despesa. Para uma família, significa desemprego.

Se a retirada do adicional estiver efetivamente sendo estudada, é legítimo que os trabalhadores saibam os motivos e as consequências. Se demissões estiverem realmente na mesa, mais ainda. Não é razoável transformar o funcionário no último a saber sobre o próprio futuro.

O Sindicato da Saúde entrou em campo

A intervenção sindical de 4 de setembro mostrou que a mobilização produziu resultado imediato naquele episódio. Mas será necessário acompanhar os próximos capítulos.

O Sindicato deverá avaliar a habitualidade do pagamento, sua natureza e se eventual retirada encontra respaldo na legislação, nos contratos e nas normas coletivas aplicáveis.

Existe ainda outra questão.

Caso aproximadamente 30% do quadro realmente esteja sob risco, qual seria o impacto dessa redução sobre os serviços prestados?

Economia na folha não pode virar sobrecarga para quem permanece e muito menos perda de qualidade para pacientes do SUS.

Dinheiro público exige transparência

Não se está afirmando que a CIS recebeu integralmente os valores globais de seus contratos.

Muito menos que possuir contratos milionários significa automaticamente ter milhões disponíveis em caixa.

Mas contratos públicos dessa magnitude interessam à sociedade quando surgem conflitos envolvendo remuneração, empregos e prestação de serviços.

A população tem o direito de saber como funciona uma operação financiada com recursos públicos. Os trabalhadores têm o direito de receber informações claras sobre sua remuneração e seus empregos. E a empresa tem o direito de apresentar sua versão, demonstrar números e explicar eventuais dificuldades. Transparência resolve muita coisa.

Inclusive evita que perguntas legítimas sejam tratadas como ataques.

No fim, a tesoura vai cortar onde?

O cenário apresentado pelos trabalhadores coloca uma imagem difícil de ignorar.

De um lado, um contrato estadual que pode alcançar R$ 144 milhões em cinco anos. Outro instrumento de aproximadamente R$ 36,54 milhões ligado à operação em Foz. Fora do município, contratação superior a R$ 82,5 milhões em Guarapuava.

Do outro, funcionários discutindo se continuarão recebendo um adicional e convivendo com relatos de que aproximadamente 30% dos postos poderiam ser eliminados caso não haja redução de custos.

É uma fotografia que exige explicações.

Talvez existam justificativas financeiras perfeitamente demonstráveis. Talvez haja dificuldades na execução contratual. Talvez existam custos que não aparecem quando se observa apenas o valor global dos contratos. Tudo isso é possível. Então que seja explicado.

Porque o que não pode virar regra é aquela velha matemática conveniente em que os milhões ganham páginas e páginas de contratos e os trabalhadores recebem apenas a conta do ajuste.

Quando a operação cresce, o discurso costuma ser de eficiência. Quando aperta, curiosamente, o holerite parece estar sempre por perto. E é exatamente por isso que a pergunta continua de pé:

Se a conta realmente não fecha, por que o bolso do trabalhador aparece tão rapidamente como candidato a pagar a diferença?

OBS: Os valores mencionados correspondem aos valores globais previstos nos instrumentos públicos considerados na reportagem e não devem ser interpretados automaticamente como valores integralmente pagos ou recebidos pela CIS. As informações sobre possível retirada do Adicional/Prêmio e eventual demissão de aproximadamente 30% do quadro são atribuídas a relatos de trabalhadores e devem ser confrontadas com eventual manifestação oficial da empresa.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 445, páginas 8 e 9, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp