Cirurgias públicas sob suspeita em Foz do Iguaçu
Por Tribuna Foz dia em Notícias
SUSPETA DE ESQUEMAS?
Cirurgias públicas sob suspeita em Foz do Iguaçu
Vereadora Anice Gazzaoui denuncia possível esquema na saúde envolvendo membro da Prefeitura de Foz do Iguaçu
Na política de Foz do Iguaçu, há momentos em que o roteiro parece repetido. Muda-se o elenco, mas o enredo insiste em girar em torno das mesmas práticas nebulosas.
"Cirurgias sob suspeita: Denúncia aponta suposto favorecimento de cirurgias com verbas impositivas"
A mais recente cena veio à tona durante a sessão da Câmara no dia 15 de abril de 2026, quando a vereadora Anice Gazzaoui decidiu retirar o verniz institucional e expor, ainda que de forma cautelosa, um possível mecanismo que merece investigação rigorosa: o uso de emendas impositivas como instrumento de redirecionamento de cirurgias.
A princípio, tudo parecia seguir o script da boa política pública. Vereadores destinando cerca de R$ 5 milhões para reduzir filas de cirurgias eletivas. Especialmente aquelas que afetam diretamente a saúde das mulheres, como os casos de endometriose. Um gesto que, no papel, é digno de aplausos. Afinal, quem ousaria criticar recursos destinados à saúde?
Mas é justamente aí que a história começa a desandar.
Segundo o relato da própria vereadora, uma reunião realizada no gabinete do prefeito, curiosamente sem a presença do próprio Prefeito, reuniu figuras-chave da administração municipal. Secretários (Gabriel Rugoni, Idelson Chaves, Magda Odete Trindade e Fabio de Melo) e técnicos (Sheila e Vinícius Vaz) e vereadores discutiam, em tese, apenas aspectos operacionais: onde, como e de que forma essas cirurgias seriam realizadas. Tudo dentro da legalidade, tudo dentro da técnica… até que não mais.
"Suspeita de esquema em cirurgias vem à tona após denuncia na Câmara de Vereadores"
O que deveria ser uma discussão institucional rapidamente ganhou contornos de bastidores. A narrativa revela que, em meio às justificativas técnicas sobre impedimentos com hospitais e dificuldades contratuais, surge uma figura com uma "solução milagrosa": o Assessor Técnico Especial de nome Vinícius Vaz, ignorando entraves legais como certidões positivas, insiste na viabilização de um hospital específico.
Aqui, o enredo deixa de ser administrativo e passa a ser, no mínimo, suspeito.
Porque não se trata apenas de uma sugestão inocente. Trata-se de insistência. De tentativa de contornar regras. De apresentar caminhos alternativos onde a lei, teoricamente, já havia colocado um bloqueio. E mais curioso ainda: posteriormente, esse mesmo assessor passa a ter ligação direta com a instituição que tentou inserir na discussão.
Coincidência? Talvez. Mas é o tipo de coincidência que, em gestão pública, costuma exigir lupa. E não complacência.
Enquanto isso, a população assiste ao espetáculo com um misto de esperança e desconfiança. Esperança de que as 2.000 cirurgias de pterígio prometidas realmente saiam do papel. Desconfiança de que, nos bastidores, o critério técnico esteja sendo substituído por interesses menos nobres.
A vereadora foi enfática ao afirmar que nenhum parlamentar direcionou recursos, e de fato, a legislação das emendas impositivas não permite esse tipo de interferência direta. Mas a fala levanta uma questão ainda mais preocupante: se não foram os vereadores, quem está tentando conduzir esse processo?
E mais importante: com qual interesse?
Quando o Assessor Técnico Vinícius Vaz, sem poder decisório formal sobre contratos, atua como articulador de soluções que favorecem uma instituição específica, o problema deixa de ser administrativo e passa a ser ético. E, dependendo do aprofundamento das investigações, pode ganhar contornos ainda mais graves.
O risco aqui não é apenas o mau uso de recursos públicos. É a transformação de uma política essencial e a redução de filas na saúde, em moeda de influência.
A pergunta que ecoou no plenário e fora dele é simples, mas incômoda: estamos diante de um esforço legítimo para melhorar a saúde pública ou de um sofisticado jogo de bastidores onde cirurgias viram oportunidade de negócio?
"Denúncia levanta possível esquema em cirurgias"
Se há algo que Foz do Iguaçu já aprendeu, é que, quando a política começa a oferecer soluções "fáceis" para problemas complexos, geralmente é porque alguém está tentando encurtar caminhos, e nem sempre pelo bem da população.
Não faz muito tempo, um médico famosíssimo em Foz do Iguaçu foi preso e condenado pela 3ª Vara Federal por práticas similares, com uma condena de 36 anos e oito meses de prisão em regime fechado por organização criminosa, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, usurpação de função pública, tráfico de influência e dispensa ilegal e fraude em licitação.
Agora, cabe aos vereadores cumprir o que prometeram: investigar. Porque, nesse caso, não basta operar pacientes. É preciso operar a verdade.
Ou novamente recorrer ao GAECO e ou a Policia Federal para que os eventos da denúncia da Vereadora Anice sejam apuradas.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 433, página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
