FOZTRANS: Quando as caras mudam e a incompetência continua
Por Tribuna Foz dia em Notícias
TRÂNSITO ABANDONADO
FOZTRANS: Quando as caras mudam e a incompetência continua
"Foztrans troca a superintendência, mas mantém a tradição da incompetência. Sai Aline, entra Maxwell e o trânsito de Foz continua sem direção"
Em Foz do Iguaçu, a política tem uma capacidade quase artística de trocar personagens sem mudar o roteiro. É como aquelas peças de teatro que mudam o elenco, mas mantêm a mesma história cansativa. E o palco da vez é o Foztrans, onde a troca de comando parece ter servido apenas para confirmar um velho ditado: quando a gestão é ruim, mudar o nome na porta não muda o resultado.
Durante quase um ano, a Prefeitura de Foz do Iguaçu assistiu à turbulenta gestão da então superintendente Aline Maicroviz. E quando se diz "assistiu", não é figura de linguagem: foi literalmente isso. Vereadores reclamavam, a população criticava, e até gente de dentro da própria administração já comentava que a situação estava fora de controle. Era como ver um carro sem freio descendo ladeira abaixo. E ninguém no volante parecia disposto a puxar o freio de mão.
A situação chegou a um ponto em que os vereadores resolveram convocar a superintendente para prestar esclarecimentos na Câmara. Seria o momento ideal para explicar o que estava acontecendo. Mas, infelizmente para a democracia local, havia um compromisso previamente agendado. Coincidência curiosa: o compromisso era exatamente no dia da convocação. Resultado: explicações ficaram para depois… ou para nunca.
Como o problema não desapareceu por mágica, a Câmara decidiu ir além e aprovou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Nascia então a famosa CPI do Foztrans, instituída pelo requerimento nº 742/ 2025, com a missão de investigar possíveis irregularidades e a má gestão no órgão. Quando uma CPI nasce para investigar trânsito, é porque o engarrafamento administrativo já passou do limite.
Enquanto isso, muitos se perguntavam se o prefeito Joaquim Silva e Luna realmente não via o que estava acontecendo. Alguns, com humor ácido típico da política iguaçuense, começaram a brincar com a hipótese de um "Alzheimer temporário": assessores avisavam dos problemas e, aparentemente, minutos depois tudo era esquecido.
Mas como até a memória institucional tem seus momentos de lucidez, chegou dezembro de 2025. O espírito natalino não trouxe presentes para Aline Maicroviz, mas sim uma exoneração. No dia 11 daquele mês, ela deixou oficialmente o comando do Foztrans.
Aparentemente, o problema estaria resolvido. Afinal, trocar o chefe costuma ser a solução clássica da política. Só esqueceram de um detalhe: às vezes o problema não está apenas na chefia, mas no sistema inteiro.
"O trânsito muda de chefe, mas a bagunça segue no volante"
Em fevereiro de 2026 entrou em cena o novo superintendente, Maxwell Moraes, que já fazia parte da casa como diretor de Trânsito e Infraestrutura. Ou seja, a troca foi quase simbólica: saiu alguém da equipe e entrou… alguém da mesma equipe. Foi mais ou menos como trocar o motorista mantendo o mesmo ônibus quebrado.
E os resultados? Bem, eles continuam andando na mesma velocidade que o trânsito da cidade em horário de pico: quase parados.
Um exemplo clássico dessa novela urbana é o eterno problema das carretas internacionais que atravessam a cidade. Durante décadas, a discussão foi sempre a mesma: tirar os caminhões pesados da Avenida das Cataratas e da Avenida Paraná. As duas vias viraram praticamente pistas de teste para remendos de asfalto, já que os caminhões carregados fazem o pavimento sofrer mais do que eleitor em época de promessa.
Então surgiu a solução milagrosa: a construção da Avenida Perimetral Leste. Uma obra gigantesca, cara, demorada e apresentada como a resposta definitiva para o trânsito pesado.
Só havia um pequeno detalhe no plano: depois de pronta, a tal solução aparentemente esqueceu de resolver o problema.
"Depois de tudo, o Foztrans prova que sempre dá para piorar"
Hoje, mesmo com a perimetral inaugurada, as carretas continuam atravessando a cidade praticamente como sempre fizeram. A pergunta inevitável surge: afinal, para que serviu a obra?
Falta regulamentação? Falta coragem? Falta planejamento? Ou falta simplesmente alguém no comando disposto a tomar uma decisão?
Porque enquanto os caminhões continuam passando e o asfalto continua sendo remendado, a sensação que fica é simples: mudaram as caras, trocaram o nome na porta do gabinete, reorganizaram as cadeiras… mas a incompetência administrativa parece ter sido mantida como patrimônio histórico.
E diante desse cenário, fica a dúvida que ecoa pelas ruas esburacadas da cidade: será que agora, com tudo pronto, vão finalmente estudar o problema? Ou vão esperar o próximo acidente grave para descobrir que trânsito também se administra com responsabilidade?
Uma coisa é certa: no Foztrans, a mudança de comando provou algo que a população já suspeitava há muito tempo. O problema nunca foi apenas quem estava no cargo, mas a forma como o órgão vem sendo conduzido. E, pelo visto, essa continua exatamente a mesma.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 431, página 16, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
