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Foz vive cenário alarmante e relatório do COREN expõe abandono, assédio moral e risco à população

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Foz vive cenário alarmante e relatório do COREN expõe abandono, assédio moral e risco à população
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HOSPITAL MUNICIPAL

Foz vive cenário alarmante e relatório do COREN expõe abandono, assédio moral e risco à população

O Hospital Municipal Padre Germano Lauck, em Foz do Iguaçu, parece ter alcançado um feito administrativo raro: transformar o caos em protocolo oficial de funcionamento. E não se trata mais de denúncia isolada de servidor revoltado, paciente indignado ou sindicato "fazendo barulho", como muitos tentaram rotular durante anos. Agora existe um relatório técnico, oficial e devastador do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná escancarando aquilo que o trabalhador da saúde já gritava há muito tempo: o Hospital Municipal virou um símbolo do abandono institucionalizado.

Gestão do Hospital Municipal coleciona denúncias e corredores lotados

A grande ironia dessa tragédia anunciada é que boa parte das denúncias já havia sido feita repetidamente pelo SEESSFIR (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Foz do Iguaçu e Região). Mas, como acontece em muitas gestões públicas modernas, denunciar irregularidades parece ser considerado um problema maior do que as próprias irregularidades. Afinal, em determinados ambientes administrativos, o inimigo nunca é a infiltração na UTI, a superlotação, a falta de segurança ou o assédio moral. O inimigo costuma ser quem ousa falar sobre isso.

Enquanto pacientes aguardam atendimento em corredores abarrotados e profissionais trabalham no limite da exaustão física e mental, existe sempre algum gestor iluminado preocupado em produzir vídeo institucional, slogan motivacional ou postagem colorida em rede social. Porque aparentemente, para certas administrações, hospital funcionando virou detalhe. O importante é a maquiagem digital da incompetência.

"COREN encontra hospital em modo sobrevivência administrativa avançada"

O relatório do COREN não descreve apenas problemas. Ele praticamente desenha um cenário de colapso humanitário. Goteiras dentro da UTI. Banheiros em situação precária. Equipamentos quebrados. Vazamentos improvisados. Pacientes espalhados em macas pelos corredores como se aquilo fosse uma extensão natural da estrutura hospitalar. Em qualquer lugar minimamente sério isso seria tratado como escândalo absoluto. Em Foz, corre-se o risco de algum burocrata dizer que "a situação está sob controle".

Sob controle de quem? Da gambiarra?

O caso da paciente com bactéria KPC largada em corredor sem isolamento adequado talvez seja um dos retratos mais cruéis do nível de degradação da estrutura. Não é apenas uma falha administrativa. É um risco direto à vida humana. É o tipo de situação que destrói qualquer discurso oficial sobre "humanização da saúde". Não existe humanização onde falta dignidade básica. Não existe excelência onde paciente vira número estacionado em corredor.

E enquanto o cidadão enfrenta esse cenário assustador, os profissionais de enfermagem convivem diariamente com uma rotina descrita pelo próprio relatório como marcada por medo, pressão psicológica e perseguições internas. O trabalhador que deveria receber respaldo por denunciar irregularidades acaba tratado como problema de gestão. Em vez de combater o assédio moral, parece que alguns setores resolveram profissionalizá-lo.

O mais impressionante é que tudo isso acontece enquanto determinados gestores seguem agindo como se fossem vítimas de perseguição política. A velha tática da administração incompetente: quando não consegue resolver o problema, tenta desmoralizar quem denuncia. Só esqueceram de combinar isso com os fiscais do COREN, que foram lá, verificaram, registraram e desmontaram qualquer narrativa fantasiosa.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 434, página 8, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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