Almirante Tinoco age como "marinheiro recruta" na Secretária de Segurança de Foz
Por Tribuna Foz dia em Notícias
TIMOLEIRO CEGO
Almirante Tinoco age como "marinheiro recruta" na Secretária de Segurança de Foz
Na teoria, a experiência militar costuma ser associada a disciplina, estratégia e comando firme. Na prática, porém, a atuação do secretário de Segurança Pública de Foz do Iguaçu, Almirante Tinoco, tem mais se aproximado de um "marinheiro recruta" tentando aprender a navegar em mar revolto, e pior, culpando as ondas pelos próprios erros de condução.
O aumento dos índices de violência na cidade não é mais percepção: é realidade sentida nas ruas e cobrada institucionalmente, como demonstra o requerimento Nº 15/2026 apresentado pela vereadora Yasmin Hachem. As perguntas são básicas, diretas e inevitáveis para qualquer gestor minimamente preparado: planejamento, contingência, efetivo, monitoramento, tecnologia e distribuição de forças. O mínimo esperado. O básico do básico.
"O Almirante que culpa o passado e afunda o presente"
Mas a resposta apresentada nas redes sociais pelo secretário revela mais sobre sua estratégia de comunicação do que sobre qualquer plano concreto de segurança. Ao invés de apresentar dados, metas ou ações estruturadas, o discurso recorre ao velho expediente da transferência de responsabilidade: a culpa seria de "22 anos de descaso". Uma narrativa conveniente, quase um manual de desculpas pronto, onde o passado vira o vilão perfeito para justificar a ineficiência do presente.
O detalhe incômodo, e que parece ter "escapado" ao secretário, é que a atual gestão do prefeito Joaquim Silva e Luna não foi responsável pela realização do concurso público da Guarda Municipal. Limitou-se a concluir um processo já iniciado anteriormente. Transformar isso em grande feito administrativo soa menos como mérito e mais como tentativa de reescrever a história com tinta de autopromoção.
"Prometeu armas, entregou desculpas"
E quando o assunto deixa o campo do discurso e entra na realidade operacional, a situação se agrava. Promessas de armamento para a nova turma de guardas municipais foram feitas com entusiasmo. Quase como anúncio de campanha, mas, passados mais de um ano e quatro meses, continuam no campo da ficção. Enquanto isso, há agentes sem armamento definitivo, comprometendo diretamente a capacidade de resposta da corporação.
O contraste beira o absurdo: guardas na linha de frente desassistidos, enquanto servidores em funções administrativas mantêm armamentos que pouco utilizam. Um retrato que evidencia desorganização, má gestão de recursos e, sobretudo, ausência de prioridade real com a segurança pública.
Ainda assim, a narrativa oficial insiste em olhar pelo retrovisor. O discurso dos "22 anos de descaso" virou uma espécie de muleta retórica, repetida à exaustão para tentar justificar uma gestão que, até agora, não conseguiu apresentar resultados consistentes. A ironia é que, ao continuar nessa linha, o atual comando corre o risco de transformar o presente exatamente naquilo que critica: mais um capítulo de descaso, agora assinado e datado.
"Comando de likes, cidade à deriva"
E como se não bastasse, a escolha de deslocar uma servidora da área de segurança para cuidar das redes sociais do secretário revela uma inversão de prioridades digna de estudo. Em tempos de crise na segurança, investir energia em curtidas, comentários e engajamento digital parece mais uma tentativa de maquiar a realidade do que de enfrentá-la.
O cenário é claro: falta planejamento, sobra discurso. Falta ação, sobra narrativa. E enquanto o comandante insiste em culpar antigos capitães, a embarcação segue à deriva, com a população pagando o preço de uma gestão que prefere explicar o problema a resolvê-lo.
"Navegando na incompetência, ancorado na desculpa"
Após a publicação nas redes sociais do "marinheiro recruta" Almirante Tinoco, qual denigre as gestões anteriores, o ex-secretário Cleomar Farrias respondeu: "No tocante a palavra "descaso", não posso deixar de me manifestar, pois estive à frente da Pasta de Segurança Publica no período de 2013/ 2016. Quando fui secretário, tivemos avanços salariais significativos com a lei de reenquadramento, a qual possibilitou 8 referências salariais para todo o efetivo (24%). Também destaco a aquisição de armas de fogo, ocasião em que 100% do efetivo possuía armamento 24h, em serviço e fora de serviço). Também na minha gestão tivemos a assinatura de um convênio que possibilitou o porte de arma aos guardas em todo o estado do Paraná. Em tempo, a Patrulha Maria da Penha foi criada e instituída, assim como o K9 da GMFI. A época Foz registrou redução histórica de homicídios. Dentre outros inúmeros avanços. Todos os apontamentos citados neste comentários podem ser comprovados. Não posso ler a palavra descaso sem me posicionar. Com todo respeito".
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 434, página 10, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
