Tribuna Foz - Tribuna Foz

Empresa terceirizada da Prefeitura estaria dando o calote e não pagando FGTS de seus funcionários

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Empresa terceirizada da Prefeitura estaria dando o calote e não pagando FGTS de seus funcionários
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp

MAU PAGADOR

Empresa terceirizada da Prefeitura estaria dando o calote e não pagando FGTS de seus funcionários

Empresa desconta no salário e esquece de pagar o FGTS

O trabalhador brasileiro já convive diariamente com salários apertados, inflação, contas acumuladas e um sistema que parece funcionar sempre contra quem acorda cedo para sustentar a família.

Mas em Foz do Iguaçu, algumas empresas terceirizadas da Prefeitura parecem ter encontrado uma forma ainda mais cruel de explorar seus funcionários: descontar dinheiro diretamente do salário do trabalhador e simplesmente não repassar os valores devidos.

"FGTS sumiu? Em Foz, terceirizada faz mágica com salário alheio"

A situação denunciada envolvendo a empresa Fiolabor, prestadora de serviços da Prefeitura de Foz do Iguaçu, escancara um problema gravíssimo que mistura irresponsabilidade empresarial, fragilidade da fiscalização e um completo desrespeito aos direitos trabalhistas. E o mais revoltante é que quem acaba pagando a conta não é o empresário, não é o gestor e muito menos os responsáveis administrativos. Quem sofre é justamente o trabalhador.

O mecanismo do empréstimo consignado privado foi vendido como uma alternativa segura e acessível. A promessa era simples: parcelas descontadas diretamente na folha, juros menores e maior facilidade de crédito. Na teoria, parecia moderno. Na prática, em muitos casos virou uma armadilha.

Isso porque empresas estariam descontando os valores dos salários dos funcionários, mas não realizando os repasses às instituições financeiras. O trabalhador olha o holerite, vê o desconto efetuado e acredita que está tudo regularizado. Enquanto isso, o banco não recebe, a dívida continua correndo, juros são aplicados e, pouco tempo depois, o nome do funcionário aparece negativado no SPC e Serasa.

É praticamente o "golpe do holerite"

O mais perverso dessa situação é que muitos trabalhadores só descobrem o problema quando tentam fazer uma compra, financiar algo ou simplesmente abrir um crediário e recebem a notícia humilhante: "Seu nome está sujo". Imagine o constrangimento de um pai de família descobrir que está inadimplente por uma dívida que ele já pagou, ou pelo menos acreditava ter pago.

"Prefeitura terceiriza serviço e trabalhador herda o prejuízo"

E quando o caso envolve uma empresa terceirizada da Prefeitura, o problema ganha uma dimensão ainda maior. Afinal, não se trata de um pequeno negócio desconhecido. Estamos falando de empresas que recebem dinheiro público para prestar serviços ao município. Isso levanta uma pergunta inevitável: quem fiscaliza essas terceirizadas?

Porque terceirização virou quase uma febre na administração pública. É o famoso modelo onde o município lava as mãos, transfere responsabilidades e depois finge surpresa quando aparecem denúncias trabalhistas. Enquanto isso, algumas empresas parecem operar no modo "sobrevivência financeira": atrasam FGTS, deixam direitos trabalhistas acumularem e usam o dinheiro descontado dos funcionários como capital de giro.

O sindicato SEESSFIR (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Foz do Iguaçu e Região) afirma que já acompanha diversos casos e ingressou com ação coletiva para tentar reparar os prejuízos causados aos trabalhadores. E isso mostra que o problema provavelmente é muito maior do que o divulgado até agora. Quando começam a surgir ações coletivas, denúncias em série e trabalhadores desesperados procurando ajuda sindical, normalmente significa que a situação saiu completamente do controle.

E o FGTS atrasado talvez seja uma das partes mais preocupantes da história. Porque o Fundo de Garantia não é um "benefício opcional". É um direito básico do trabalhador. É a reserva que muitas famílias utilizam em momentos de emergência, desemprego ou doença. Quando uma empresa deixa de depositar o FGTS, ela não está apenas descumprindo a lei. Está roubando a segurança financeira do trabalhador.

"Terceirizada recebe da Prefeitura e trabalhador recebe calote"

O mais curioso é que algumas dessas empresas seguem funcionando normalmente, participando de contratos públicos, recebendo pagamentos e mantendo aparência de normalidade administrativa. O funcionário sofre, o nome vai para o Serasa, o FGTS desaparece, mas para certos empresários parece que nada acontece.

No fim, sobra ao trabalhador fazer aquilo que nunca deveria ser sua obrigação: fiscalizar a própria empresa. Conferir extrato do FGTS, monitorar consignados, acompanhar descontos e torcer para não descobrir que foi vítima da própria empregadora.

Em Foz do Iguaçu, infelizmente, parece que alguns trabalhadores não estão apenas vendendo sua força de trabalho. Estão financiando a irresponsabilidade de empresas que transformaram direitos trabalhistas em mera sugestão administrativa.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 434, página 6, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp