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Sindicato da Saúde merece destaque na defensoria de seus trabalhadores

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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HOSPITAL MUNICIPAL

Sindicato da Saúde merece destaque na defensoria de seus trabalhadores

E é justamente nesse ponto que o papel do Sindicato da Saúde merece destaque. Porque é fácil posar de defensor do trabalhador em época eleitoral, gravar vídeo emocionado ou discursar sobre valorização da enfermagem em cerimônia pública. Difícil é enfrentar anos de desgaste, pressão e resistência institucional denunciando aquilo que muitos fingiam não ver.

"Relatório do COREN desmonta teatro da saúde pública em Foz"

O presidente do SEESSFIR, Paulo Sérgio Ferreira, deixou claro que as denúncias apontadas pelo COREN já eram alvo de inúmeros alertas feitos pelo sindicato, principalmente em relação ao assédio moral e às condições insustentáveis de trabalho. E isso expõe uma verdade incômoda: se as denúncias tivessem sido levadas a sério antes, talvez o hospital não tivesse chegado ao estágio atual.

Sindicato denunciava caos enquanto gestão fingia normalidade hospitalar

Mas existe um costume perigoso em certos ambientes públicos: ignorar o sindicato até que a realidade exploda na cara da administração. Durante muito tempo, denúncias sindicais foram tratadas como exagero, politicagem ou "narrativa". Agora veio um órgão técnico e basicamente confirmou tudo. Resultado? O que antes tentavam chamar de reclamação virou documento oficial.

E os números apresentados são assustadores. Milhares de atestados médicos. Quase R$ 5 milhões em horas extras em apenas um ano. Uma estrutura operando no limite da falência humana. Afinal, quando profissionais adoecem em massa, isso não é azar estatístico. É consequência direta de gestão desastrosa.

"Paciente no corredor e gestor no discurso: retrato da decadência"

A superlotação permanente do Pronto Socorro já ultrapassou há muito tempo a categoria de problema temporário. Virou modelo operacional. Pacientes chegando via SAMU sem comunicação adequada, equipes sobrecarregadas, profissionais remanejados sem preparo técnico específico e um ambiente onde improviso parece substituir planejamento.

E mesmo diante desse cenário alarmante, ainda existe quem ache que o problema é "falta de compreensão da população". Não. O problema é falta de gestão eficiente, falta de planejamento e, principalmente, falta de respeito com quem sustenta o hospital funcionando no braço: os trabalhadores da saúde.

Enquanto isso, enfermeiros, técnicos e auxiliares seguem trabalhando como verdadeiros sobreviventes administrativos. Entram em plantões sem saber se haverá equipe suficiente, sem garantia dsegurança adequada e convivendo com a pressão psicológica diária. Muitos não trabalham mais apenas cansados. Trabalham adoecidos.

A denúncia de invasões em áreas internas do hospital e furtos dentro da unidade seria inacreditável se não estivesse oficialmente registrada. A pediatria vulnerável por ausência de controle adequado de entrada e saída mostra que o problema deixou de ser apenas estrutural. Tornou-se também uma grave falha de segurança institucional.

E diante de tudo isso surge a pergunta inevitável: onde estavam os responsáveis enquanto o hospital afundava lentamente?

Talvez ocupados demais em reuniões improdutivas, discursos burocráticos e apresentações de PowerPoint sobre eficiência administrativa imaginária.

"Quando até o COREN perde a paciência, o caos já venceu"

O relatório do COREN funciona quase como um obituário moral da atual gestão hospitalar. Um documento que desmonta qualquer tentativa de vender normalidade. Porque não existe normalidade em UTI com goteira. Não existe normalidade em paciente contaminado largado em corredor. Não existe normalidade em trabalhador adoecido por perseguição psicológica.

O mais duro é perceber que quem segurou essa bomba durante anos foram justamente os profissionais da enfermagem e o sindicato denunciando continuamente aquilo que muitos preferiam esconder debaixo do tapete. Se hoje o problema ganhou dimensão pública e institucional, é porque houve insistência de quem não aceitou o silêncio como solução.

O SEESSFIR acabou fazendo aquilo que deveria ser obrigação da própria gestão: defender condições mínimas de dignidade para trabalhadores e pacientes. E talvez seja exatamente isso que incomode tanto certos setores. Porque o sindicato expôs uma verdade cruel: o Hospital Municipal não está enfrentando apenas uma crise estrutural. Está enfrentando uma crise de gestão, de humanidade e de responsabilidade pública.

E quando um hospital chega ao ponto de precisar que um relatório externo confirme oficialmente o caos que seus trabalhadores denunciam há anos, talvez o problema já tenha deixado de ser administrativo. Talvez tenha se tornado moral.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 434, página 9, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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