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Fundação Municipal de Saúde de Foz vira caso de investigação documental

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Fundação Municipal de Saúde de Foz vira caso de investigação documental
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SAÚDE DE FOZ

Fundação Municipal de Saúde de Foz vira caso de investigação documental

COMUS cobra explicações sobre supostas falhas, omissões e falta de transparência na gestão de procedimentos da Fundação Municipal de Saúde de Foz do Iguaçu

Enquanto milhares de moradores de Foz do Iguaçu enfrentam filas intermináveis, exames atrasados e transferências hospitalares que mais parecem um sorteio da loteria da saúde pública, a Fundação Municipal de Saúde aparentemente descobriu uma nova especialidade médica: a gastroenterologia burocrática. Em vez de endoscopia, o paciente recebe planilha. Em vez de resposta objetiva, ganha um caminhão de anexos. E, no lugar de transparência, uma verdadeira cortina de fumaça administrativa.

"COMUS tenta decifrar o enigma da saúde municipal"

O Conselho Municipal de Saúde (COMUS) resolveu colocar o dedo na ferida. E a ferida, pelo visto, está infeccionada há tempos. O ofício enviado à Fundação Municipal de Saúde escancarou aquilo que boa parte da população já suspeitava: perguntas simples parecem causar alergia severa na gestão da saúde municipal.

O Conselho pediu informações básicas. Quantos exames são realizados? Quantas pessoas aguardam? Quantas transferências foram feitas? Qual é a capacidade de atendimento? Perguntas normais em qualquer administração minimamente organizada. Mas, pelo jeito, dentro da Fundação, descobrir esses números é mais difícil do que conseguir uma consulta especializada pelo SUS em Foz.

Saúde de Foz adota método "responda sem responder"

Segundo o COMUS, as respostas foram "parcialmente satisfatórias e insubsistentes". Traduzindo para o português popular: responderam sem responder. A velha arte da enrolação institucionalizada. Um verdadeiro espetáculo de malabarismo burocrático onde o cidadão pergunta "quantos?" e a gestão responde "veja os anexos".

"Fundação receita anexos para tratar falta de gestão"

E não foram poucos anexos. O Conselho acusa a Fundação de praticar o famoso "Document Dump", termo bonito em inglês que, na prática, significa despejar um oceano de documentos desorganizados para cansar quem tenta fiscalizar. É quase uma estratégia psicológica: se o cidadão sobreviver às centenas de páginas, planilhas e PDFs aleatórios, talvez encontre uma resposta escondida entre uma nota fiscal e um termo aditivo perdido no limbo administrativo.

A situação chega ao nível do surrealismo tropical. O Conselho afirma que a Fundação teria transferido a responsabilidade para a macrorregional de saúde, como se a gestão municipal fosse apenas uma espectadora da própria bagunça. É como se o motorista de um ônibus dissesse que não sabe para onde foi o veículo porque a estrada pertence ao DER.

Mas o que mais chama atenção é o clima de desorganização que paira sobre a saúde pública municipal. O COMUS cobra explicações sobre demanda reprimida, protocolos pediátricos, relação de médicos credenciados e até possíveis direcionamentos de pacientes. Tudo isso em um sistema que deveria ter controle absoluto sobre seus próprios procedimentos. Afinal, se a Fundação não sabe quantos pacientes encaminhou, quantos exames realizou ou quem executa os atendimentos, então alguém precisa urgentemente avisar que gestão pública não funciona no modo "confia".

"COMUS pede dados; Fundação entrega labirinto documental"

E como se não bastasse, ainda surgiu a misteriosa aparição da empresa Omairi de Gastrocirurgia e Obesidade Ltda. nas respostas da Fundação. O detalhe curioso é que ninguém havia perguntado especificamente sobre ela. Mesmo assim, a empresa apareceu no ofício quase como um personagem que entra na novela sem ter sido chamado para a cena. O próprio COMUS questionou a pertinência da citação e levantou dúvidas sobre possível tratamento diferenciado. Em qualquer lugar sério, isso já seria suficiente para acender um giroflex institucional.

Agora, a Fundação tem 10 dias para reapresentar as respostas de forma clara, organizada e objetiva. O problema é saber se conseguirá responder sem produzir outro tsunami documental digno de um campeonato internacional de Ctrl+C e Ctrl+V administrativo.

"Saúde de Foz: onde até resposta pega fila"

Enquanto isso, a população segue aguardando exames, consultas e atendimento digno. Porque no fim das contas, quem sofre não é a burocracia. É o paciente sentado na fila, esperando uma transferência, um procedimento ou simplesmente uma resposta que nunca chega. Em Foz do Iguaçu, aparentemente, a transparência também entrou na fila do SUS.

Ao que parece, a gestão do Coronel Áureo Ferreira na Fundação Municipal de Saúde fez da transparência um labirinto burocrático, mas o COMUS decidiu entrar com lanterna e mapa na mão.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 435, páginas 9, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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