Um Coronel, seus comandados e a triste missão de administrar o Hospital Municipal!
Por Tribuna Foz dia em Notícias
HOSPITAL MUNICIPAL
Um Coronel, seus comandados e a triste missão de administrar o Hospital Municipal!
O sucateamento, a falta de gestão humanizada e um ambiente cada vez mais adoecido
O cenário vivido atualmente no Hospital Municipal Padre Germano Lauck em Foz do Iguaçu é preocupante e expõe uma realidade que há tempos vem sendo denunciada por trabalhadores da saúde: o sucateamento da estrutura, a falta de gestão humanizada e um ambiente cada vez mais adoecido.
Enquanto discursos oficiais tentam demonstrar normalidade, os corredores do hospital revelam outra verdade. Trabalhadores enfrentam diariamente jornadas desgastantes, pressão psicológica e a ausência de condições mínimas de descanso. Um exemplo revoltante acontece no setor da Ortopedia, onde profissionais tinham um pequeno espaço para repouso durante os plantões. O local, porém, acabou sendo tomado por macas quebradas e equipamentos abandonados, numa atitude interpretada por muitos trabalhadores como uma tentativa clara de impedir qualquer momento de descanso da equipe.
O mais absurdo é que muitas dessas macas e equipamentos poderiam estar em uso, ajudando pacientes e desafogando o atendimento hospitalar. Em vez disso, permanecem jogados à própria sorte, aguardando manutenção que nunca chega, enquanto a população sofre com a falta de estrutura e atendimento digno.
O clima interno no hospital também se tornou motivo de preocupação institucional. No próximo dia 16 de junho de 2026, o Ministério Público do Trabalho convocou a direção do hospital para uma audiência que tratará de denúncias relacionadas a assédio moral. Um fato grave e alarmante, que reforça o sentimento de medo, pressão e insegurança vivido por diversos trabalhadores.
A situação se torna ainda mais delicada diante da entrada em vigor da NR-1 atualizada, que amplia a responsabilidade das instituições quanto aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Ignorar denúncias, sobrecarga emocional, perseguições e ambientes adoecedores poderá trazer consequências ainda mais sérias para a gestão.
O hospital, que deveria ser símbolo de acolhimento e cuidado, hoje parece viver uma guerra silenciosa entre aqueles que tentam manter o atendimento funcionando e uma administração que, segundo relatos, tem falhado na missão mais básica de qualquer gestor: saber cuidar de pessoas.
A saúde pública não pode ser conduzida como um quartel militar, onde ordens são impostas sem diálogo e onde trabalhadores são tratados como peças descartáveis. O Hospital Municipal precisa urgentemente de gestão, humanidade, manutenção, respeito e responsabilidade.
Porque quando falta gestão, sobra sofrimento. Para quem trabalha e para quem depende da saúde pública municipal.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 435, páginas 8, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
