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General Silva e Luna teria recebido mais de R$ 563 mil reais de salário em 20 meses. E a cidade, ganhou o quê?

Por Tribuna Foz dia em Notícias

General Silva e Luna teria recebido mais de R$ 563 mil reais de salário em 20 meses. E a cidade, ganhou o quê?
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O QUE FEZ POR FOZ?

General Silva e Luna teria recebido mais de R$ 563 mil reais de salário em 20 meses. E a cidade, ganhou o quê?

“O tempo passa, o tempo voa... e o salário do prefeito continua numa boa.”

 

 

Quem viveu as décadas de 1980 e 1990 certamente se lembra de um dos jingles mais famosos da publicidade brasileira: “O tempo passa, o tempo voa... e o Banco Bamerindus continua numa boa”. A propaganda do antigo banco atravessou gerações e acabou sobrevivendo até ao próprio banco.

Décadas depois, a frase poderia ganhar uma versão genuinamente iguaçuense:

“O tempo passa, o tempo voa... e o salário do prefeito continua numa boa.”

Porque, passados 20 meses da administração do prefeito General Joaquim Silva e Luna, talvez tenha chegado a hora de fazer uma pergunta bastante simples: o que Foz do Iguaçu recebeu em troca?

Mais de meio milhão na conta estimada

A Lei Municipal nº 5.343/2023 fixou para o mandato 2025–2028 o subsídio mensal do prefeito em R$ 26.025,79, além da previsão de 13º subsídio.

Na matemática mais básica, considerando os 20 meses completos entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, são: R$ 26.025,79 x 20 = R$ 520.515,80.

Acrescente o 13º de 2025, de R$ 26.025,79, e aproximadamente R$ 17.350,53 correspondentes a 8/12 do 13º de 2026.

Resultado estimado: R$ 563.892,12 brutos.

Sim, leitor: mais de meio milhão de reais em apenas 20 meses.

E a conta ainda pode ser conservadora, já que a própria legislação prevê atualização do subsídio conforme a revisão geral do funcionalismo e, em 2025, houve reposição de 5,32% aos servidores.

Portanto, enquanto muita gente em Foz precisa fazer malabarismo para fechar as contas no fim do mês, a remuneração correspondente ao cargo de prefeito segue religiosamente seu caminho.

O salário chega. E os resultados?

Receber o salário previsto em lei, evidentemente, não constitui irregularidade. A questão política é outra: qual foi a entrega correspondente nesses 20 meses?

É aí que a propaganda eleitoral encontra a realidade administrativa.

O tempo passou. E passou rápido.

Foram 20 meses em que a população acumulou reclamações sobre buracos nas ruas, problemas na saúde, críticas à conservação da cidade, questionamentos sobre serviços públicos e decisões controversas da administração municipal.

Até o atendimento odontológico noturno da UPA João Samek entrou na lista de serviços que desapareceram durante a gestão.

Enquanto isso, diante das críticas sobre os buracos, o prefeito ainda conseguiu protagonizar uma declaração que provocou enorme repercussão: “quem cair no buraco é um estúpido”.

Talvez o contribuinte tenha entendido errado. Além de pagar impostos para ter ruas em condições adequadas, aparentemente também precisa desenvolver habilidades de piloto de rali para circular pela cidade.

20 meses depois, a desculpa ainda serve?

No começo de qualquer governo existe o tradicional período de adaptação. É a equipe chegando, conhecendo a máquina, analisando contratos, descobrindo problemas e organizando prioridades.

Mas até quando dura o estágio? Um mês? Seis meses? Um ano? Vinte meses?

Depois de quase metade do mandato, culpar administrações anteriores ou pedir paciência começa a soar como aquele aluno que chega ao fim do semestre dizendo que ainda está conhecendo a escola.

Enquanto o prefeito “conhece” a Prefeitura, o relógio não para.

E o contracheque também não.

R$ 563 mil depois: cadê a foz prometida?

A pergunta que deveria ecoar pela cidade não é quanto o prefeito recebe. Afinal, o valor foi estabelecido por lei. A pergunta correta é muito mais incômoda:

O que a população recebeu em troca?

Onde estão as grandes transformações prometidas? Onde está a cidade melhor administrada? Onde está a eficiência que justificaria o discurso de experiência, competência e capacidade de gestão?

Porque salário de prefeito não é prêmio, aposentadoria honorária nem homenagem por serviços prestados no passado. É remuneração para administrar uma cidade de verdade, com problemas de verdade e cidadãos esperando resultados de verdade.

O tempo passa, o tempo voa...

Janeiro de 2025 ficou para trás. Fevereiro passou. Março também. Veio 2026. E agora já são 20 meses de mandato.

Pela estimativa baseada no subsídio original, são R$ 563.892,12 em remuneração bruta acumulada, incluindo 13º.

E o cidadão olha para sua rua, para os buracos, para os problemas dos serviços públicos e pode adaptar aquele velho comercial: “O tempo passa, o tempo voa... e o salário do prefeito continua numa boa.”

Só existe uma diferença fundamental. No comercial do Bamerindus, a intenção era transmitir segurança ao cliente. Em Foz do Iguaçu, depois de 20 meses, o contribuinte talvez queira apenas uma resposta: General, mais de meio milhão depois, o que o senhor fez por Foz?

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 444, página 8, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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