Governo desanda quando o próprio líder vota contra o Prefeito
Por Tribuna Foz dia em Notícias
LÍDER SEM EXÉRCITO?
Governo desanda quando o próprio líder vota contra o Prefeito
Quando o comandante da tropa resolve marchar na direção oposta
Se existe uma função que dispensa manual de instruções, é a de líder de governo. A lógica é simples: defender os interesses do Executivo, articular votos, organizar a base e evitar que o prefeito passe vergonha em plenário.
Mas, ao que tudo indica, em Foz do Iguaçu resolveram inovar. O conceito de liderança ganhou uma releitura quase artística: o líder fala uma coisa, orienta outra e vota uma terceira. É a política em versão "escolha sua própria aventura".
A votação do veto parcial ao Projeto de Lei nº 323/ 2025, que institui o protocolo antirracista e de combate à intolerância religiosa nas escolas públicas e privadas do município, acabou revelando muito mais do que uma divergência sobre um projeto. Escancarou uma crise de sintonia dentro da própria base governista.
E o protagonista dessa novela não foi nenhum vereador de oposição. Foi justamente o líder do prefeito General Joaquim Silva e Luna na Câmara: Ranieri Marchioro.
"O discurso foi para um lado. O voto foi para outro. E o governo ficou perdido no cruzamento"
Durante a discussão da matéria, Ranieri utilizou a tribuna para defender a manutenção do veto parcial apresentado pela Prefeitura. Argumentou que eventuais ajustes poderiam ser feitos posteriormente e ressaltou a importância do combate ao racismo e à intolerância religiosa.
Até aí, tudo absolutamente legítimo.
O detalhe curioso é que, segundo relatos da própria sessão, antes da votação o líder teria orientado parlamentares da base governista a votarem pela manutenção do veto encaminhado pelo Executivo.
Em outras palavras, pediu que os colegas acompanhassem o prefeito...
...mas, quando chegou sua vez de apertar o botão, resolveu acompanhar a própria consciência, ou talvez outra estratégia política que, até agora, ninguém explicou.
É a mais perfeita tradução do velho ditado popular: "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço."
Aliás, nem o GPS conseguiria recalcular uma rota política tão rapidamente.
"Base aliada ou campeonato de cada um por si?"
O resultado foi um verdadeiro festival de constrangimentos. O clima pesou. Os ânimos se exaltaram. Houve bate-boca. A segurança da Câmara precisou reforçar a presença no plenário.
Tudo isso provocado não por um ataque da oposição, mas pelas pessoas que estavam no plenário, quando demonstrado as rachaduras abertas dentro da própria base governista.
Enquanto isso, alguns da imprensa que acompanhava a sessão provavelmente fazia a mesma pergunta: Afinal, quem representa o governo?
Porque, convenhamos, se o próprio líder resolve votar contra o veto do prefeito, fica difícil convencer alguém de que existe uma base organizada.
Parece mais um condomínio onde cada morador decide pintar a fachada da cor que quiser.
LÍDER SEM EXÉRCITO?
O general perdeu o comando ou a tropa resolveu andar sozinha?
Quando o líder do governo resolve liderar... a oposição ao próprio Prefeito
O veto acabou derrubado pela maioria dos vereadores. Votaram pela manutenção Bosco Foz, Cabo Cassol, Paulo Debrito, Sidnei Prestes e Soldado Fruet.
Já pela rejeição votaram Adnan El Sayed, Adriano Rorato, Anice Gazzaoui, Balbinot, Beni Rodrigues, Evandro Ferreira, Professora Márcia Bachixte, Valentina, Yasmin Hachem... e o próprio líder do governo Dr. Ranieri Marchioro.
Sim. O líder. Aquele cuja principal missão institucional seria justamente defender a posição do Executivo.
Se isso não é um curto-circuito político, fica difícil encontrar outra definição.
Imagine um técnico pedir para o time jogar na defesa e, quando a bola chega aos seus pés, marcar um gol contra.
Foi mais ou menos essa a impressão deixada pela sessão.
"Silêncio que fala mais alto que qualquer discurso"
Depois do episódio, esperava-se ao menos uma explicação. Uma justificativa. Uma nota. Uma entrevista. Um esclarecimento. Nada. O silêncio ocupou a tribuna.
E, na política, silêncio raramente significa tranquilidade. Na maioria das vezes, significa que alguém prefere deixar que os outros criem suas próprias versões dos fatos. E quando isso acontece, a imaginação popular trabalha em ritmo acelerado.
"Recado político ou apenas independência?"
Naturalmente começaram as especulações. Teria sido um gesto de independência parlamentar? Um aviso ao Palácio? Um descontentamento interno? Um sinal de que a relação entre líder e governo já não seria tão harmoniosa quanto aparenta? Ou apenas uma decisão pessoal diante do mérito da matéria?
Sem declarações públicas do próprio vereador, qualquer resposta seria mera conjectura.
Mas uma coisa é impossível esconder: politicamente, o gesto teve enorme impacto. Na política, votos são mensagens. E alguns recados dispensam legenda.
"Quando a fumaça aparece, é porque alguém acendeu o fogo"
Outro detalhe inevitavelmente lembrado nos bastidores é que, após assumir a liderança do governo, a então chefe de gabinete do vereador passou a ocupar um cargo na administração municipal.
Esse fato, por si só, não comprova qualquer irregularidade nem permite concluir a existência de interesses políticos adicionais. Ainda assim, como ocorre em qualquer ambiente político, abre espaço para questionamentos e comentários sobre o grau de alinhamento entre governo e liderança.
Após essa votação, porém, inevitavelmente surgirão novas interpretações. Se antes havia quem enxergasse uma relação de absoluta confiança entre prefeito e líder, agora muitos passarão a perguntar se essa sintonia continua existindo.
"Um governo que começa a discutir consigo mesmo"
Existe uma velha máxima da política. A oposição faz barulho.
Mas quem realmente derruba um governo são as brigas internas. Quando o próprio líder deixa de acompanhar o prefeito em uma votação tão simbólica, o problema deixa de ser apenas o veto de um projeto.
Passa a ser a credibilidade da articulação política. Porque ninguém consegue convencer uma Câmara quando nem o encarregado de defender o governo parece disposto a seguir a mesma estratégia.
No fim das contas, a grande derrotada talvez nem tenha sido a Prefeitura naquele veto. Foi a imagem de unidade. Foi a autoridade da liderança. Foi a impressão de que existe comando.
E, olhando para a sessão, ficou uma pergunta inevitável: Se o general dá uma ordem, mas o próprio líder resolve marchar para outra direção... quem, afinal, está conduzindo essa tropa? de toda a estratégia política. Podemos dizer que o GENERAL esta sem um de seus comandante?
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 439, páginas 4 e 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana



