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Quando todos sabem do problema, mas não tem chefe para mandar

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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FALTA DE MANUTENÇÃO

Quando todos sabem do problema, mas não tem chefe para mandar

Afinal, frase atribuída ao prefeito General Joaquim Silva e Luna, é: "Você está vendo um buraco, você só cai se for um estúpido". Então se estourar um pneu ao passar por uma lombada defeituosa, o motorista continua sendo um "estúpido"?

Há uma ironia difícil de ignorar. Durante décadas, um general está acostumado a dar ordens, cobrar disciplina, mandar cortar grama, pintar meio-fio e exigir que tudo pareça impecável aos olhos de quem passa. Mas administrar uma cidade exige algo que tinta nenhuma consegue esconder: manutenção.

Em Foz do Iguaçu, parece que a prioridade continua sendo a aparência. A realidade pode estar quebrada, desde que esteja bem pintada.

A lombada que ganhou maquiagem, mas não conserto

Em 12 de maio de 2026, foi denunciado que uma lombada na Rua Major Acilino de Castro, em frente à Escola Municipal Professora Lucia Marlene Pena Nieradka, na Vila Yolanda, havia recebido uma mão de tinta sem que o defeito fosse corrigido.

O tempo passou. Dias viraram semanas. Semanas viraram meses. E a lombada continua exatamente como estava: perigosa, irregular e pronta para transformar pneus em sucata.

Motoristas relatam pneus estourados após o impacto. Quem passa um pouco acima da velocidade acaba parando alguns metros depois para trocar o pneu ou chamar o guincho. Mas a pintura... essa continua firme.

Quando todo mundo sabe do problema, mas ninguém manda consertar

A situação revela um retrato curioso da administração. Todo mundo conhece o problema. Moradores sabem. Motoristas sabem. A imprensa mostrou. Os servidores provavelmente sabem. Mas parece faltar alguém que simplesmente diga: "Consertem."

Talvez exista uma fila interminável de memorandos, pareceres, despachos, carimbos e protocolos esperando autorização para fazer aquilo que deveria ser rotina: manutenção.

Enquanto isso, a cidade convive com uma espécie de burocracia ornamental. O defeito permanece. A tinta envelhece. E o problema continua prestando serviço contra o cidadão.

A filosofia do "Se você viu, a culpa é sua?"

Uma frase atribuída ao prefeito General Joaquim Silva e Luna ficou conhecida:

"Você está vendo um buraco, você só cai se for um estúpido."

A declaração virou símbolo de uma visão que, para muitos moradores, parece transferir ao cidadão a responsabilidade pelos problemas da cidade.

Mas surge uma pergunta inevitável. Se o motorista vê uma lombada defeituosa, reduz a velocidade e, ainda assim, o impacto corta o pneu, ele continua sendo o culpado?

Se o dano decorre da falta de manutenção do patrimônio público, quem responde? O motorista? Ou quem deveria manter a via em condições adequadas?

A cidade da tinta milagrosa

Foz do Iguaçu parece viver uma nova modalidade de gestão pública. Não se tapa o defeito. Não se elimina o risco. Não se resolve a causa. Pinta-se.

Talvez seja uma inovação administrativa. Buraco? Pinta. Lombada quebrada? Pinta. Meio-fio? Pinta. Grama? Corta. Problema resolvido? Evidentemente não.

Porque tinta melhora fotografia. Manutenção melhora a vida das pessoas. E existe uma enorme diferença entre governar para a câmera e governar para quem paga impostos.

Quem é o zelador da cidade?

A pergunta permanece sem resposta. Quem é o responsável pela manutenção das lombadas? Quem fiscaliza? Quem cobra? Quem responde pelos prejuízos acumulados dos motoristas?

Porque administrar uma cidade não é apenas ordenar que o mato seja aparado ou que o meio-fio receba uma nova camada de cal. É garantir que aquilo que coloca a população em risco seja corrigido antes de causar acidentes.

Ao que tudo indica, a lombada da Vila Yolanda tornouse um símbolo de uma gestão em que a estética parece correr na frente da eficiência. E enquanto a tinta resiste bravamente ao tempo, a manutenção continua desaparecida.

Afinal, uma cidade não precisa de maquiagem. Precisa de administração. E, principalmente, de alguém que troque o pincel pela solução.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 439, página 6, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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