Pintar a grama sobre o asfalto pode? Mas afinal. Quem fiscaliza o Fiscal?
Por Tribuna Foz dia em Notícias
O PREFEITO ZELADOR?
Pintar a grama sobre o asfalto pode? Mas afinal. Quem fiscaliza o Fiscal?
A tinta cobriu a grama, mas não escondeu a incompetência, ou é a arte moderna da zeladoria pública?
Se existia alguma dúvida de que a criatividade na administração pública poderia superar qualquer expectativa, ela acaba de ser esclarecida na Avenida Safira, em Foz do Iguaçu.
Uma empresa terceirizada contratada pela Prefeitura realizou a pintura da sinalização horizontal com tanto entusiasmo que resolveu inovar: pintou até a grama que invadiu o asfalto.
Quem aprovou essa pintura sobre a grama?
É isso mesmo. Em vez de retirar a vegetação antes da pintura, optou-se pelo método mais prático, ou talvez mais preguiçoso: passar tinta por cima de tudo. O resultado? Uma obra digna de exposição em um museu de improvisos administrativos.
Fotos registram a cena e deixam evidente que não se trata de opinião, mas de um serviço executado sem o mínimo cuidado. Afinal, tinta não faz manutenção. Apenas esconde, temporariamente, um problema que deveria ter sido resolvido antes.
A zeladoria ficou só no discurso?
O prefeito General Joaquim Silva e Luna construiu boa parte de sua imagem defendendo que "o lugar do prefeito é nas ruas". Megaoperações de limpeza, roçadas, tapa-buracos e ações de zeladoria são constantemente divulgadas como marcas da gestão.
Mas a cena da Avenida Safira levanta uma pergunta inevitável: onde estava essa fiscalização quando autorizaram uma pintura que transformou até a grama em faixa de trânsito?
Se a administração cobra eficiência dos servidores e das empresas contratadas, é razoável esperar que o mesmo rigor seja aplicado na fiscalização dos contratos públicos. Porque, convenhamos, bastava uma simples enxada para remover o excesso de vegetação antes da pintura. Não era uma obra de engenharia espacial.
Quem fiscaliza quem deveria fiscalizar?
O problema talvez nem seja a tinta sobre a grama. O verdadeiro problema é a ausência de alguém disposto a dizer: "Esse serviço está errado." Existe um fiscal do contrato. Existe uma chefia.
Existe uma secretaria responsável. Existe uma estrutura inteira encarregada de garantir que o dinheiro público seja bem empregado.
Quando um erro tão elementar passa despercebido, surge a pergunta que incomoda qualquer contribuinte: quem fiscaliza o fiscal?
Porque, quando se pinta grama sobre o asfalto pode até render boas piadas nas redes sociais. O que não deveria virar rotina é a falta de critério na execução e na fiscalização de serviços pagos com recursos da população.
O retrato da zeladoria: tinta na grama e silêncio na fiscalização
Se a zeladoria é o principal cartão de visitas da gestão, talvez esteja na hora de lembrar que capricho não é detalhe. É obrigação. Afinal, tinta cobre o verde da grama, mas não consegue esconder a falta de fiscalização.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 439, página 7, de autoria do Jornalista Enrique Alliana




