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Um gato e três pingados vão no lançamento da pré-candidatura de Paulo Mac Donald

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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VEXAME

Um gato e três pingados vão no lançamento da pré-candidatura de Paulo Mac Donald

Vexame no salão: Quando o luxo não esconde o vazio, afinal o hotel era de luxo, o público nem tanto

Em política, há eventos que parecem uma demonstração de força. Outros parecem uma reunião de condomínio com coffee break reforçado. O lançamento da pré-candidatura de Paulo Mac Donald no Hotel Viale Cataratas conseguiu a proeza de ser anunciado como um grande ato político e terminar com cara de palestra motivacional em horário comercial.

O salão luxuoso estava impecável. As cadeiras alinhadas, o palco montado, os convidados ilustres presentes, deputados, vereadores, jornalistas e equipe técnica. O problema é que, entre o brilho dos lustres e o eco do microfone, faltou um detalhe fundamental: gente.

Das 450 cadeiras preparadas para o evento, apenas 86 pessoas compareceram, contando inclusive aqueles que estavam no próprio palco. Traduzindo para o português político: sobrou cadeira, sobrou espaço e sobrou constrangimento.

De 2.000 para 86: A matemática da saudade

O contraste com o lançamento da pré-candidatura de Rosa Maria Geronimo em 2022 é inevitável. Na época, o Hotel Recanto recebeu aproximadamente 2.000 simpatizantes. As urnas depois mostraram que multidão não garante vitória absoluta, mas pelo menos demonstrou capacidade de mobilização, logrando êxito na soma total de 24.588 votos, 0,40%, ficando na 1ª suplência.

Já o evento de Paulo Mac Donald produziu um número que cabe facilmente em uma planilha de reunião interna. Se em 2022 havia clima de campanha, em 2026 houve clima de retrospectiva.

Rosa Maria Geronimo (2022). Lançamento da précandidatura. 2.000 simpatizantes presentes „

Paulo Mac Donald (2026). Pré-candidatura. Lançamento no Viale Cataratas. 86 incluindo palco e equipe.

O passado subiu ao palco

Mas o maior problema talvez nem tenha sido a quantidade de pessoas. O verdadeiro espetáculo aconteceu quando o pré-candidato pegou o microfone.

Quem esperava ouvir propostas para o futuro encontrou um álbum de memórias em versão estendida. Em vez de explicar o que pretende fazer caso seja eleito, Paulo Mac Donald preferiu revisitar sua trajetória política, suas realizações passadas e capítulos já conhecidos da população.

Faltou responder à pergunta que qualquer eleitor faz: "E daqui para frente?"

O eleitor de 2026 não vota em lembranças. Vota em expectativas. E, quando um candidato passa mais tempo explicando o que fez há décadas do que o que fará nos próximos anos, a impressão é de que a campanha está olhando pelo retrovisor.

Equipe desafinada ou candidato fora de sintonia?

O evento deixa duas hipóteses igualmente desconfortáveis.

Hipótese 1: A equipe falhou gravemente na mobilização e na estratégia do lançamento. „ Hipótese 2: O próprio candidato está desconectado do humor político de 2026.

Em qualquer uma das alternativas, o resultado foi o mesmo: um lançamento que deveria demonstrar força terminou servindo de combustível para os adversários.

Quando o eco fala mais alto que os aplausos

Na política, imagem importa. Um salão vazio fala antes mesmo do primeiro discurso. E o lançamento de Paulo Mac Donald produziu exatamente a fotografia que nenhum pré-candidato deseja ver circulando: cadeiras sobrando, público escasso e um discurso preso ao passado.

O episódio não define sozinho uma eleição, mas acende um alerta evidente. Se o objetivo era mostrar que existe uma onda crescente em torno da pré-candidatura, o que apareceu foi algo bem diferente: um evento onde o eco do salão parecia competir em volume com os aplausos.

E assim nasceu a frase que já circula nos bastidores da política iguaçuense: "Um gato e três pingados foram ao lançamento da pré-candidatura de Paulo Mac Donald."

Uma expressão cruel, sarcástica e talvez exagerada. Mas, diante das imagens do evento, fica difícil convencer alguém de que o exagero foi muito grande.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 439, página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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