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Ricardo Nascimento anuncia em hotel de luxo pré-candidatura a Deputado

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Ricardo Nascimento anuncia em hotel de luxo pré-candidatura a Deputado
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DO CAOS À CANDIDATURA

Ricardo Nascimento anuncia em hotel de luxo pré-candidatura a Deputado

"Ricardinho troca problemas por palanque; Vice que é invisível agora quer votos visíveis"

Em tempos em que a política brasileira já se acostumou com o improvável, Foz do Iguaçu parece decidida a inovar, ou piorar o que já parecia insuperável. Eis que surge mais um capítulo da novela administrativa local.

"Gestão nota zero, ambição nota dez: O salto de Ricardinho"

O vice-prefeito Ricardo Nascimento, amplamente apontado por boa parte da população como o pior dos últimos tempos, decide lançar sua pré-candidatura a deputado… e não em qualquer lugar, claro. Afinal, coerência nunca foi o forte. O anúncio veio em um hotel de luxo. Porque nada representa melhor a realidade de uma cidade com filas nos hospitais do que um evento regado a conforto e sofisticação.

Enquanto isso, do lado de fora da bolha climatizada, o cenário segue digno de relatório de calamidade: falta médico, falta exame, sobra buraco nas ruas e a iluminação pública parece competir com velas em um concurso de eficiência. A segurança? Essa virou quase uma sugestão, com furtos, assaltos e tráfico avançando como se estivessem em campanha eleitoral própria.

"Enquanto Foz sofre, Ricardinho sonha com a Assembleia Legislativa"

Mas aparentemente, nada disso é prioridade quando o assunto é alçar voos mais altos, ainda que com asas de papel.

O mais curioso. Ou trágico, dependendo do humor do leitor, não é nem o anúncio em si, mas a recepção popular. A publicação do Paraná Pop virou praticamente um confessionário coletivo, onde a paciência do iguaçuense foi deixada em forma de comentário. Dos 683 cometários, apenas três tentaram defender o indefensável. Os outros 680? Um verdadeiro festival de indignação, sarcasmo e, por que não, criatividade popular.

Neuza Laço resumiu o sentimento geral com precisão cirúrgica: "Acho que é reunião para rir dos eleitores". Já Camila Villalba preferiu recorrer à comparação, nunca um bom sinal ao dizer "Mais um Luciano Alves". E Neide Duarte foi direta ao ponto, sem rodeios ou diplomacia: "não fez nada pra foz quer vai vota neste homen".

Mas o iguaçuense não se limita à crítica básica; ele vai além, transforma revolta em arte. Jorge Rossi entregou um comentário digno de análise sociológica, misturando indignação com um alerta quase pedagógico sobre escolhas eleitorais. Enquanto isso, Duldinei Sachini trouxe a elegância da simplicidade: "Vá criar vergonha na carra seu je ruela". Curto, direto e impossível de interpretar errado.

"Vice em modo avião: Desliga da cidade e liga na Campanha"

E como ignorar Cecília Antunes, que puxou até o campo religioso para tentar entender o fenômeno: "Acho que o santo de vcs não bateu nós esperava mais do general luna e vc os católicos né". Já Jair Santos foi categórico: "Não se elege na política é zero". Uma análise eleitoral resumida em três palavras. Eficiência que muitos institutos de pesquisa gostariam de ter.

A sensação geral é de incredulidade. Jean Benica sintetizou isso com uma frase que ecoa pelas ruas esburacadas da cidade: "Fez bosta nenhuma pela cidade e quer deputado estadual". Ivan Ladanha, por sua vez, levantou uma dúvida existencial: "quem é este ricardinho não vai ganhar nen pra presidente de bairro". Uma pergunta que talvez nem a própria campanha consiga responder com convicção.

E quando a crítica vira aconselhamento? José Carlos Gabriel tentou ajudar: "pega as tuas trouxas e da no pé". Um conselho que, se seguido, talvez evitasse constrangimentos maiores. Mas não, a marcha segue firme, ou teimosa.

A lista de reprovação continua como um desfile interminável. Eurico Guerra questiona a competência futura diante do desempenho atual. Sara Rorato reduz as ambições a níveis mais… realistas. Ivete Dalcegio levanta a velha suspeita da "teta política", enquanto Roberto Bispo dos Santos amplia o debate para a falta de compromisso com o trabalho público.

Já Alceu Vieira resume o sentimento coletivo de abandono, enquanto Paulo Reitz introduz um elemento clássico da política brasileira: a figura do "capacho" sem voz ativa. Marivaldo de Freitas, talvez mais pragmático, sugere que nem a "marmita de casa" está sob controle, quem dirá uma cadeira na Assembleia.

E como toda boa crítica popular, há espaço para filosofia política improvisada. Eleno Martins reflete sobre a "cara de pau" como pré-requisito de carreira. Adão Luiz Ferreira é definitivo: "Nunca". Simples assim. Sem margem para interpretação.

No meio de tudo isso, fica a pergunta inevitável: em que momento a desconexão entre gestão e ambição virou algo tão natural? A cidade pede socorro, como bem lembrou Manoel Alves, mas a resposta parece vir em forma de campanha antecipada.

Talvez o maior problema não seja a pré-candidatura em si, mas o simbolismo dela. Em vez de um gesto de responsabilidade ou tentativa de corrigir rumos, o que se vê é uma fuga para frente, como se trocar de cargo resolvesse o que nem começou a ser enfrentado.

"Da falta de gestão à falta de noção: O projeto eleitoral"

Ricardo Nascimento pode até insistir no projeto eleitoral. Direito dele. Mas uma coisa é certa: se os comentários refletem minimamente o sentimento popular, essa candidatura já nasceu com um eleitorado difícil, e uma reputação ainda mais difícil de convencer.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 433, página 16, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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