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INSEGURANÇA: Guarda some das UPAs e Ministério Público do Trabalho dá uma “canetada” na Prefeitura

Por Tribuna Foz dia em Notícias

INSEGURANÇA: Guarda some das UPAs e Ministério Público do Trabalho dá uma “canetada” na Prefeitura
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INSEGURANÇA

Guarda some das UPAs e Ministério Público do Trabalho dá uma “canetada” na Prefeitura

 

 

Em Foz do Iguaçu, parece que até para ficar doente é recomendável conferir antes as condições de segurança. Afinal, quem procura uma Unidade de Pronto Atendimento deveria estar preocupado com febre, dor, pressão alta ou qualquer outra emergência médica. Só que trabalhadores e pacientes das UPAs passaram a conviver também com outro problema: a insegurança dentro e no entorno das próprias unidades públicas de saúde.

Na gestão do ex-prefeito Chico Brasileiro, a Guarda Municipal mantinha agentes nas UPAs João Samek, no Jardim das Palmeiras, e Walter Cavalcanti Barbosa, no Morumbi. Com a mudança de governo e a chegada do prefeito General Joaquim Silva e Luna, esse modelo de presença fixa deixou de existir.

E, pelo que revelam os documentos oficiais, a ausência não passou despercebida.

A situação foi parar no Ministério Público do Trabalho, por meio da Notícia de Fato nº 003658.2026.09.000/8, denuncia da em julho e despachada contra o Município de Foz do Iguaçu em agosto a partir de denúncia sigilosa.

Furtos, agressões e medo durante os plantões

O relato que deu origem ao procedimento não descreve exatamente um ambiente de paz e tranquilidade.

O denunciante, servidor público da UPA Walter Barbosa, afirmou que a unidade não possui serviço de segurança. Segundo ele, por funcionar 24 horas, o local recebe durante a madrugada pacientes embriagados, pessoas sob efeito de substâncias psicoativas e indivíduos que, em determinadas situações, apresentam comportamento agressivo.

O documento menciona ainda atritos com usuários e servidores e afirma que trabalhadores já teriam sido vítimas de furtos e agressões.

Ou seja, profissionais contratados para cuidar da saúde passaram também a conviver com a necessidade de vigiar portas, corredores e movimentações suspeitas.

Talvez esteja surgindo uma nova especialidade no serviço público municipal: enfermagem com segurança patrimonial incorporada ao currículo.

A própria saúde pediu socorro

O detalhe mais constrangedor para a administração aparece nos documentos produzidos pela própria Prefeitura.

A Secretaria Municipal da Saúde reconheceu formalmente que não possui efetivo próprio de segurança, viaturas, poder de polícia ou autonomia para distribuir agentes. Registrou ainda que depende da Secretaria Municipal de Segurança Pública e da Guarda Municipal para as ações de segurança pública e patrimonial nos equipamentos de saúde.

E não foi apenas uma reclamação perdida em alguma gaveta.

A Saúde encaminhou reiteradas solicitações pedindo presença ostensiva e permanente da Guarda Municipal, ampliação das rondas, apoio em situações críticas, câmeras, controle de acesso, botão de pânico e canal direto de comunicação com a corporação.

Em fevereiro de 2026, a solicitação foi ampliada para as UPAs João Samek e Walter Barbosa. Em abril, houve nova cobrança por presença ostensiva, permanente e ininterrupta da Guarda Municipal. Em julho, depois de um furto dentro da UPA Walter Barbosa, outro memorando pediu inclusive presença permanente da Guarda em regime de 24 horas.

Portanto, não se trata apenas de alguém dizendo que existe insegurança.

A própria máquina pública produziu documentos reconhecendo o problema e pedindo providências.

Até furto dentro da UPA entrou na conta

A documentação registra um episódio ocorrido em 20 de julho de 2026, quando um aparelho celular pertencente à acompanhante de uma paciente teria sido furtado dentro da UPA Walter Barbosa.

Segundo a manifestação municipal, a suspeita teria circulado pelos ambientes internos antes de ser abordada pela Guarda Municipal. O próprio documento reconhece que o caso evidencia a vulnerabilidade causada pela ausência de controle efetivo de entrada e circulação de pessoas e que situações dessa natureza podem resultar em conflitos, agressões e riscos para pacientes e trabalhadores.

É quase uma confissão administrativa embrulhada em linguagem técnica.

Ministério Público do Trabalho leu os papéis e não se convenceu

Depois de analisar a resposta da Prefeitura, o procurador do Trabalho Fabrício Gonçalves de Oliveira registrou que o Município reconheceu os riscos denunciados e constatou a existência de sucessivos pedidos da Secretaria da Saúde para disponibilização de efetivo da Guarda nas UPAs durante todo o funcionamento.

E veio a frase que pesa.

Segundo o despacho, apesar das solicitações da Saúde, “até o momento não houve atendimento satisfatório das demandas” apresentadas aos órgãos responsáveis pela segurança pública.

Traduzindo o burocratês para o português das ruas: pediram segurança, insistiram na segurança, documentaram a necessidade de segurança e a solução considerada satisfatória ainda não apareceu.

A “canetada” chegou em 19 de agosto

O Ministério Público do Trabalho resolveu então apertar um pouco mais o parafuso.

Em notificação expedida em 19 de agosto de 2026**, o MPT concedeu 15 dias úteis para que o Município informe se existe previsão de disponibilização permanente de efetivo da Guarda Civil Municipal ou de serviço de segurança nas UPAs.

Caso não exista essa previsão, a Prefeitura deverá explicar quais medidas imediatas pretende adotar para assegurar a integridade dos trabalhadores.

Além disso, a Notícia de Fato foi prorrogada por mais 90 dias, mantendo o assunto sob acompanhamento do Ministério Público do Trabalho.

 

INSEGURANÇA

Um general e uma pergunta simples: cadê a segurança?

 

Existe uma ironia praticamente pronta nessa história.

Foz do Iguaçu é administrada por um general, justamente alguém cuja trajetória profissional remete a planejamento, prevenção, estratégia e segurança. Mesmo assim, dentro da própria estrutura municipal, documentos se acumulam pedindo aquilo que deveria ser elementar em unidades que funcionam dia e noite: proteção para quem trabalha e para quem procura atendimento.

Não faltaram memorandos. Não faltaram solicitações. Não faltaram registros. Não faltaram reuniões, pedidos de rondas, propostas de câmeras e até ideia de botão de pânico.

O que continua em discussão é justamente o principal: quem estará lá quando o problema acontecer?

Agora a pergunta deixou os corredores das UPAs e chegou oficialmente ao Ministério Público do Trabalho.

Haverá segurança permanente nas UPAs de Foz do Iguaçu ou não?

A Prefeitura terá que responder.

Enquanto isso, médicos, enfermeiros, técnicos, pacientes e acompanhantes continuam esperando.

E, nesse caso, não estão esperando apenas atendimento médico.

Estão esperando segurança.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 442, páginas 10 e 11, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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