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INSEGURANÇA: Foz do Iguaçu vive com a insegurança dia após dias e parece que ninguém quer fazer nada para melhorar

Por Tribuna Foz dia em Notícias

INSEGURANÇA: Foz do Iguaçu vive com a insegurança dia após dias e parece que ninguém quer fazer nada para melhorar
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INSEGURANÇA

Foz do Iguaçu vive com a insegurança dia após dias e parece que ninguém quer fazer nada para melhorar

Foz vive com medo enquanto a gestão parece morar em outra cidade

Foz do Iguaçu parece ter duas cidades completamente diferentes. Existe a Foz protegida por muros, portarias, câmeras, guaritas e vigilância privada 24 horas. E existe a Foz da população comum, que fecha o portão com duas voltas na chave, coloca grade na janela, instala câmera onde consegue e, mesmo assim, acorda sem saber se encontrará o patrimônio no mesmo lugar.

No meio dessas duas realidades está justamente quem deveria comandar as políticas municipais de segurança.

O secretário municipal de Segurança Pública, Almirante Paulo Tinoco, ocupa um dos cargos mais importantes quando o assunto é proteção do patrimônio público e atuação preventiva da Guarda Municipal. O problema é que, enquanto a população reclama da sensação de insegurança, furtos e abandono de determinadas regiões, a resposta da administração parece não acompanhar a velocidade dos problemas.

É quase uma política pública revolucionária: o cidadão instala cerca elétrica, câmera, alarme e contrata vigilância. A Prefeitura entra com a preocupação.

Segurança privada para uns, insegurança pública para outros

Almirante Paulo Tinoco reside em condomínio fechado, protegido por estrutura particular de segurança. Nada de errado nisso. Qualquer cidadão tem direito de escolher onde morar e contratar proteção privada.

A ironia começa quando o responsável pela segurança municipal parece incapaz de oferecer à população uma sensação semelhante de proteção do lado de fora dos muros.

Quem também ocupa posição estratégica é o comandante da Guarda Municipal, Inspetor de Área Ubirajara Pigatto Ribeiro. E novamente surge uma distância enorme entre o gabinete e aquilo que comerciantes e moradores dizem enfrentar diariamente nas ruas.

Talvez esteja faltando descer das alturas administrativas e caminhar um pouco pelas calçadas.

Porque segurança pública não pode ser avaliada olhando a cidade pela janela do gabinete, pelo vidro do carro oficial ou pelas câmeras da portaria do condomínio.

O centro virou um teste diário de sobrevivência comercial

Converse com comerciantes da região central e o discurso se repete: furtos, arrombamentos, vandalismo, pessoas em situação de rua, usuários de drogas perambulando durante a madrugada e patrimônio sendo levado.

Vale tudo.

Portas, fios, torneiras, cabos e até tubulações de cobre dos aparelhos de ar-condicionado viraram alvo.

O comerciante fecha a empresa à noite e, no dia seguinte, antes de verificar as vendas, precisa conferir se ainda tem ar-condicionado, fiação e porta.

É o novo “bom dia” empresarial de Foz do Iguaçu.

E não se pode simplesmente transformar toda pessoa em situação de rua ou dependente químico em criminoso. Isso seria irresponsável. O problema é justamente a incapacidade do poder público de separar situações sociais, dependência química e criminalidade, oferecendo assistência a quem precisa e repressão legal a quem pratica crimes.

Tudo misturado nas ruas acaba produzindo abandono, degradação urbana e medo.

Assistência social também precisa responder

A insegurança não começa e termina na Guarda Municipal.

Quando cresce de maneira visível a população vivendo nas ruas, é necessário perguntar onde estão as políticas de assistência social, acolhimento, tratamento, reinserção familiar e encaminhamento daqueles que chegam ao município sem qualquer estrutura.

Empurrar o problema de uma praça para outra não é política pública.

Retirar alguém de uma calçada pela manhã para encontrá-lo em outra esquina à tarde também não resolve nada.

Enquanto as secretarias trabalham como ilhas, a população recebe o arquipélago inteiro de problemas.

E a Guarda Municipal, está guardando o quê?

A pergunta que começa a incomodar é simples: qual é a prioridade operacional da Guarda Municipal?

Se a justificativa for exclusivamente proteger o patrimônio público municipal, surge outro problema: nem mesmo os prédios públicos escapam de ocorrências de furto e vandalismo.

Unidades públicas precisam de segurança. UPAs precisam de proteção adequada para servidores e pacientes. Praças, terminais e demais equipamentos municipais precisam de presença preventiva.

Então, afinal, onde está funcionando o modelo?

Porque não adianta andar viatura bonita, giroflex, fazer fotografia para rede social e divulgar operação com nome cinematográfico se o cidadão continua inseguro quando fecha o comércio ou caminha pela rua.

Segurança pública não se mede pela quantidade de fotos de viaturas.

Mede-se pelo resultado percebido nas ruas.

 

INSEGURANÇA

Talvez esteja faltando um choque de gestão

A presença de militares ou ex-militares no comando não representa, por si só, eficiência.

Patente não assusta ladrão.

Currículo militar não impede furto.

Continência não protege comércio.

E medalha no peito não substitui planejamento, inteligência, patrulhamento preventivo, integração entre órgãos e cobrança de resultados.

Se o modelo atual não está produzindo a segurança esperada, chegou a hora de perguntar se não seria necessário um verdadeiro choque de gestão.

Não adianta insistir numa estratégia apenas porque quem ocupa a cadeira possui experiência militar. Gestão pública precisa apresentar resultados.

Quem responde pela insegurança?

E existe uma pergunta ainda mais séria.

Quando problemas são reiteradamente denunciados, quando comerciantes acumulam prejuízos e quando até equipamentos públicos enfrentam vulnerabilidades, quais providências concretas estão sendo adotadas pelos gestores responsáveis?

Cabe aos órgãos de fiscalização, ao Ministério Público, à Câmara Municipal e às demais instituições competentes verificar se existem falhas administrativas, omissões ou responsabilidades que exijam apuração.

Responsabilização civil ou criminal não pode ser decretada no grito nem pela indignação popular, depende de fatos, provas e enquadramento jurídico. Mas fiscalização rigorosa é perfeitamente legítima e necessária.

Porque ocupar cargo público não significa apenas receber salário, posar ao lado de viatura e participar de solenidade.

Significa responder pelos resultados da política que se comanda.

Foz não pode virar uma cidade de muros

A solução para a insegurança não pode ser transformar Foz do Iguaçu num enorme condomínio fechado onde cada cidadão compra a segurança que consegue pagar.

Quem tem dinheiro contrata vigilante.

Quem pode instala câmeras.

Quem consegue coloca cerca elétrica.

Quem não pode faz o quê?

Reza para chegar em casa e encontrar tudo no lugar?

Foz precisa recuperar a sensação de que suas ruas pertencem aos moradores, trabalhadores, turistas e comerciantes, e não ao medo.

Se os responsáveis pela segurança municipal vivem protegidos, ótimo.

Agora falta proporcionar segurança também para quem mora do lado de fora dos muros.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 442, páginas 8 e 9, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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