O cumulo de pintar lombadas defeituosas em Foz do Iguaçu
Por Tribuna Foz dia em Notícias
FOZSUCUPIRA
O cumulo de pintar lombadas defeituosas em Foz do Iguaçu
"Gestão do General Silva e Luna: Buraco embaixo, tinta em cima, onde o especialista em asfalto, que virou mestre em remendos"
Em tempos em que a população de Foz do Iguaçu tenta desviar de buracos como quem participa de um rali urbano sem inscrição, surge mais um capítulo da novela administrativa que muitos moradores já apelidaram de "FOZSUCUPIRA". Uma mistura de tragicomédia municipal com humor involuntário, onde o cidadão paga imposto de primeiro mundo para receber serviço digno de cenário abandonado de novela dos anos 70.
"FOZSUCUPIRA: A cidade onde pintam a lombada e esquecem o buraco"
A referência à fictícia Sucupira, da obra "O Bem-Amado", de Dias Gomes, nunca pareceu tão atual. Na cidade comandada pelo lendário Odorico Paraguaçu, o prefeito prometia um cemitério moderno, mas havia um problema: ninguém morria na cidade. Não por saúde exemplar, mas porque os doentes eram enviados para morrer em municípios vizinhos. Era a política do absurdo institucionalizado.
"Da Amazônia para Foz: O asfalto ficou pelo caminho"
Em Foz do Iguaçu, o roteiro parece ter sido adaptado para os tempos modernos. Sai o cemitério, entram os buracos. Sai Odorico, entra o General Joaquim Silva e Luna, o homem que chegou envolto numa aura de disciplina militar, eficiência técnica e fama de "especialista em asfalto". Afinal, segundo suas próprias palavras, teria passado décadas construindo estradas na Amazônia durante sua carreira no Exército Brasileiro, chegando ao cúmulo de dizer que era "especialista em asfalto".
"Em Fozsucupira, até a lombada tem maquiagem"
O problema é que, ao assumir a prefeitura, Foz do Iguaçu virou praticamente um laboratório de crateras urbanas.
O iguaçuense acorda, pega o carro e já não sabe se vai ao trabalho ou participar do Paris-Dakar da Vila A, do Morumbi, da Vila Yolanda ou do Porto Meira. Há ruas em que o asfalto parece ter pedido baixa do serviço público. Outras parecem ter sido bombardeadas por uma guerra que ninguém ficou sabendo. E no meio desse caos urbano, eis que surge a cena emblemática da gestão: uma lombada defeituosa recém-pintada na Rua Major Acilino de Castro, em frente à Escola Municipal Professora Lucia Marlene Pena Nieradka, no Bairro Vila Yolanda.
É a obra-prima da burocracia ornamental. A lombada está irregular? Sim. Está defeituosa? Também. Pode causar acidentes? Evidentemente. Mas pelo menos agora está pintadinha. Eis a lógica administrativa da "Fozsucupira": não se resolve o problema, apenas se passa tinta em cima dele. Talvez o próximo passo seja pintar os buracos de amarelo fluorescente e chamar isso de "intervenção de mobilidade urbana".
"Prefeito Silva e Luna troca asfalto por tinta em Foz do Iguaçu"
A cena resume perfeitamente a atual administração: a estética da solução substituindo a solução de verdade. O cidadão não recebe infraestrutura; recebe maquiagem urbana. É quase uma filosofia de governo baseada na máxima: "se parece bonito de longe, então está resolvido".
E a pergunta inevitável surge: quem autorizou isso? Quem fiscalizou? Quem assinou o pagamento? Porque não é possível que uma empresa terceirizada tenha olhado para uma lombada torta, deteriorada e problemática e pensado: "Excelente. Vamos apenas renovar a tinta". Mais inacreditável ainda é imaginar que alguém da prefeitura tenha aprovado o serviço sem sentir vergonha.
A situação se torna ainda mais caricata quando entra em cena o Foztrans, órgão que muitos moradores já enxergam não como instituto de trânsito, mas como uma espécie de indústria municipal da multa. Para fiscalizar estacionamento, radares e infrações, a eficiência parece instantânea. Agora, para organizar trânsito pesado, corrigir problemas viários e melhorar a mobilidade urbana, o ritmo lembra uma tartaruga cansada subindo a Avenida Paraná.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 434, página 4, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

