QUEIJO ABANDONADO: Ratinho sai de férias, deixa os prefeitos soltos e Moro assume o galinheiro político
Por Tribuna Foz dia em Notícias
QUEIJO ABANDONADO
Ratinho sai de férias, deixa os prefeitos soltos e Moro assume o galinheiro político
Enquanto Ratinho arruma as malas, Sergio Moro arruma os prefeitos para seu governo
Governador declara apoio a Flávio Bolsonaro, mas desaparece justamente na hora de mobilizar os prefeitos. Enquanto Ratinho viaja ao exterior, Sergio Moro assume o protagonismo político e pode herdar, de bandeja, a estrutura municipal construída pelo atual governador.
O ratinho saiu de férias, e os gatos começaram a fazer a festa
Na política paranaense, até as férias parecem ter endereço eleitoral. O governador Ratinho Junior (PSD), depois de declarar apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial, resolveu fazer as malas e viajar ao exterior justamente quando sua presença poderia fazer diferença na mobilização dos prefeitos.
Segundo informações divulgadas pelo Blog do Esmael, o governador comunicou sua saída do país à Assembleia Legislativa do Paraná. Até aí, tudo dentro das regras. Afinal, descansar é um direito, inclusive para quem ocupa o Palácio Iguaçu.
Mas o calendário escolhido desperta uma pergunta inevitável: Ratinho Junior saiu de férias ou resolveu tirar férias da responsabilidade política de liderar sua própria base?
Mickey Mouse ganha ratinho; Moro ganha os prefeitos
A oposição não perdeu a oportunidade de ironizar. Parlamentares chegaram a brincar que Ratinho teria viajado para visitar seu primo distante, Mickey Mouse, na Disney. É apenas uma provocação política, sem confirmação sobre o destino da viagem. Mas a piada encontrou terreno fértil.
Enquanto Ratinho possivelmente procura diversão no exterior, o governador eleito Sergio Moro (PL) encontra algo politicamente muito mais valioso: prefeitos, lideranças municipais e espaço para consolidar seu comando no Paraná.
Um pode estar procurando o Mickey. O outro está procurando os votos. E, nessa disputa, parece que Moro escolheu o parque de diversões mais lucrativo: a política paranaense.
Madalosso: Asinhas de frango e uma herança política no cardápio
O encontro de prefeitos em apoio a Flávio Bolsonaro, ocorrido na terça-feira, 13 de outubro, no tradicional restaurante Madalosso, em Curitiba, ganhou um ingrediente especial: a ausência de quem construiu boa parte dessa articulação política.
Ratinho Junior passou anos cultivando relações com prefeitos e lideranças municipais. Agora, justamente quando essa estrutura poderia demonstrar sua força eleitoral, o governador deixa o palco livre para seu sucessor.
E Sergio Moro, que venceu a eleição estadual no primeiro turno, certamente não precisa de convite para ocupar uma cadeira tão confortável. No cardápio político, as famosas asinhas de frango podem acabar sendo apenas o acompanhamento. O prato principal é a disputa pelo controle dos prefeitos paranaenses.
Quem plantou foi Ratinho; quem pode colher é Moro
A situação chega a ser curiosa. Ratinho Junior construiu uma extensa rede de apoio durante seus dois mandatos, mas corre o risco de assistir, à distância, à transferência de protagonismo para Moro.
É quase uma liquidação de fim de governo: o patrimônio político continua existindo, mas outro personagem começa a aparecer nas fotografias. Isso não comprova rompimento entre os dois governadores. Entretanto, oferece uma imagem simbólica da sucessão: Ratinho ausente, Moro presente e os prefeitos observando quem terá as chaves do Palácio Iguaçu.
Apoio de boca, férias de corpo inteiro
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 59,91% dos votos no Paraná, contra 31,20% de Lula, conforme os números apresentados. A disputa nacional, porém, continua aberta até 25 de outubro.
Nesse cenário, a ausência do governador chama atenção. Declarar apoio é fácil. Aparecer, mobilizar aliados e assumir a linha de frente exige disposição.
Ratinho Junior pode até continuar apoiando Flávio Bolsonaro. Mas sua viagem oferece à oposição um argumento irresistível: na hora de pedir votos, o governador preferiu apresentar o passaporte.
Ratinho viajou, Moro sentou na cabeceira
No fim das contas, a questão não é saber se Ratinho Junior está na Disney, na Europa ou em qualquer outro destino internacional. O problema político é saber quem comandará os prefeitos enquanto ele estiver ausente.
Moro tem diante de si a oportunidade de transformar um encontro eleitoral numa demonstração antecipada de poder. E os prefeitos? Esses provavelmente já entenderam que, na política, fidelidade costuma acompanhar o endereço do próximo governador.
Ratinho Junior pode voltar das férias descansado. Só precisa tomar cuidado para não descobrir que, enquanto estava fora, Sergio Moro já sentou na sua cadeira, reuniu seus aliados e começou a distribuir as asinhas do poder.
Afinal, na política paranaense, quem sai para passear pode voltar e encontrar a mesa posta, mas com outro dono na cabeceira.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 447, página 11 de autoria do Jornalista Enrique Alliana
