Seguindo orientação do Governo Lula, Receita Federal pune moradores e turistas ao abrir novo posto de fiscalização em Foz
Por Tribuna Foz dia em Notícias
MAIS FISCALIZAÇÃO, MENOS MOBILIDADE?
Seguindo orientação do Governo Lula, Receita Federal pune moradores e turistas ao abrir novo posto de fiscalização em Foz
A nova face da Receita Federal em Foz do Iguaçu; Uma cidade onde o cidadão vira o principal suspeito da fronteira
Enquanto a Receita Federal comemora uma arrecadação de R$ 264,4 bilhões em junho de 2026, com crescimento real de 7,7% sobre o mesmo período do ano anterior, moradores e turistas de Foz do Iguaçu receberam um "presente" de grego. Mais um posto de fiscalização para entrar na rotina de quem circula pela Tríplice Fronteira.
A mensagem que muitos cidadãos enxergam parece simples: quanto mais o governo arrecada, mais o contribuinte precisa provar que não fez nada de errado.
É uma lógica curiosa. Os cofres públicos batem recordes, mas a sensação de quem enfrenta filas e novas abordagens é de que nunca basta.
A cidade onde todos passam a ser suspeitos
Mesmo com a alta da arrecadação, o governo Lula, através da Alfândega da Receita Federal de Foz do Iguaçu, decidiu punir os moradores, turistas que frequentam a triple fronteira. No dia 1º de agosto, iniciou-se o mais novo posto de fiscalização na cidade, sob a Portaria ALF/Foz do Iguaçu Nº 299 de 15 de Julho de 2026, onde ônibus regulares que saem de Foz do Iguaçu deverão seguir rota obrigatória diante da sede Administrativa da Alfândega para possível fiscalização aduaneira.
É claro que combater o contrabando e o descaminho é obrigação do Estado. Ninguém discute isso.
A discussão começa quando a fiscalização deixa de ser percebida como uma ação cirúrgica contra criminosos e passa a atingir indiscriminadamente trabalhadores, estudantes, comerciantes e turistas que apenas desejam seguir viagem.
A impressão transmitida é desconfortável: primeiro todos são tratados como potenciais infratores; depois, quem sabe, alguns sejam considerados inocentes
Quase 60 anos depois, descobriram um novo problema?
A sede administrativa da Receita Federal em Foz do Iguaçu existe desde 1968. Durante quase seis décadas, nunca houve necessidade de instalar naquele local um ponto permanente de abordagem para ônibus regulares.
O que sempre existiu, são as vistorias de veículo apreendidos fora da sede administrativa, que ocorriam em horários marcados e pré agendados.
Então surge uma pergunta inevitável: o que mudou?
A vontade de mais arrecadação somente aconteceu após a troca de comando da instituição, tendo como novo Delegado Marcelo Mossi Vendramini.
Será que durante quase sessenta anos ninguém percebeu essa necessidade? Ou estamos diante de uma nova filosofia administrativa que acredita que ampliar barreiras é sinônimo automático de eficiência?
Criar novos obstáculos é relativamente simples. Difícil é demonstrar que eles realmente produzem resultados proporcionais aos transtornos impostos à população.
Nova Portaria a vista
Segundo fontes, uma nova Portaria poderá ser publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias, com uma prorrogação do ato 299.
FRONTEIRA PENALIZADA
Receita Federal de Foz, do corredor humanitário ao corredor da burocracia
A maldade do novo delegado com a população iguaçuense começou no mês de junho de 2026, quando decidiu punir radicalmente com o cancelamento do corredor sanitário entre Ciudad Del Este e Foz do Iguaçu, que foi estabelecido durante a pandemia para permitir a passagem de pacientes em tratamento médico em ambas as cidades. Após a reabertura da fronteira, a passagem prioritária foi mantida para evitar que crianças e jovens com TEA e pacientes em estado crítico tivessem que esperar horas na fila para atravessar a ponte internacional. Por meio desse sistema, a Receita Federal brasileira permitia a entrada pela Ponte Internacional da Amizade, com acesso pela cabeceira da ponte e evitando a longa fila na rodovia BR-277. No lado paraguaio, a travessia era feita pelo terreno da Base Naval.
Quando a burocracia atropela a prioridade humanitária
O Delegado Marcelo Mossi Vendramini teria dito que existia excessos. Se existisse realmente excessos no corredor humanitário, como ele mesmo disse, que adotasse uma postura menos radical. Se havia abusos, eles deveriam ser investigados e corrigidos.
Mas muitos moradores questionam se eliminar completamente um mecanismo criado para atender situações humanitárias foi a única alternativa possível. Um recadastramento, auditoria ou revisão dos critérios poderia ter preservado o atendimento de quem realmente precisava.
Quando o remédio parece pior que a doença
Quando a solução escolhida elimina o benefício para todos, fica a sensação de que o remédio acabou sendo mais pesado que a doença.
Estas novas posturas, não nascem do nada, pois tudo existe uma cadeia de comando, e ao que tudo indica, as ordem vem de cima, com punições drásticas promovidas pelo governo Lula.
Ordens de cima ou simples coincidência? Foz pergunta, Brasília responde?
Seria esta a punição do governo federal (governo Lula) pelo simples fato da maioria da população ser de direita? Afinal nas eleições de 2022, 32,47% dos eleitores de Foz do Iguaçu votaram e Lula, enquanto Jair Bolsonaro fez 60,88% dos votos.
Já no 2º turno nas eleições de 2022 em Foz do Iguaçu, Jair Bolsonaro conseguiu alcançar 66,18%, contra 33,82% de Lula.
Fiscalizar, sim. Complicar, por quê?
Existe uma enorme diferença entre combater organizações criminosas e transformar a rotina de milhares de pessoas em um exercício permanente de paciência.
A economia de Foz do Iguaçu depende diretamente da circulação de turistas, consumidores e trabalhadores entre Brasil e Paraguai.
Cada minuto perdido representa menos eficiência, menos competitividade e mais desgaste para quem movimenta a economia local.
Quem trabalha honestamente espera que o Estado concentre seus esforços em inteligência, tecnologia e investigação qualificada, e não apenas em aumentar a quantidade de barreiras físicas e procedimentos burocráticos.
A confiança também é patrimônio público
Toda autoridade pública possui competência para adotar medidas administrativas dentro da lei.
Mas também possui o dever de explicar, com transparência, quais resultados concretos pretende alcançar e como avaliará os impactos dessas decisões sobre a população.
Quanto maior o poder de fiscalização, maior deve ser o compromisso com a prestação de contas.
Sem diálogo e sem demonstração objetiva de resultados, cresce a percepção de que o cidadão comum paga a conta da burocracia enquanto os grandes esquemas continuam exigindo operações especializadas para serem desmantelados.
A fronteira precisa de inteligência, não de mais desgaste
Foz do Iguaçu é uma das fronteiras mais estratégicas do Brasil. Ela precisa de fiscalização eficiente, moderna e baseada em inteligência.
Mas eficiência não se mede pela quantidade de ônibus desviados, pela extensão das filas ou pelo número de pessoas submetidas a novos procedimentos.
Uma administração pública eficiente é aquela que consegue proteger as fronteiras sem transformar o cotidiano do cidadão honesto em uma sucessão de obstáculos.
Quando a população começa a enxergar cada nova medida com mais preocupação do que confiança, talvez seja o momento de perguntar não apenas quanto se está arrecadando, mas também qual é o custo dessa estratégia para quem vive e trabalha na fronteira todos os dias.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 440, páginas 6 e 7, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

