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Sidnei Prestes: A fidelidade política que muda conforme a conveniência

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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Sidnei Prestes

A fidelidade política que muda conforme a conveniência

Sidnei Prestes: o Podemos é partido ou apenas endereço eleitoral?

 

Na política de Foz do Iguaçu parece existir uma modalidade que ganha cada vez mais adeptos: pedir voto aos iguaçuenses e, quando chega a eleição seguinte, abrir o mapa do Paraná para procurar aliados fora da cidade.

Agora quem entra nessa discussão é o vereador Sidnei Prestes Junior, eleito em 2024 e atualmente candidato a deputado estadual pelo Podemos.

Sidnei nasceu em Cascavel, mas vive há décadas em Foz do Iguaçu. Portanto, a questão não é onde consta seu nascimento na certidão. O que interessa politicamente é outra coisa: quem recebe o voto de Foz está ajudando a fortalecer politicamente quem? E é aí que começa a ficar interessante.

De Paulo Mac Donald ao general: A política é uma porta giratória

Sidnei Prestes foi eleito vereador em 2024 pelo Mobiliza, legenda que naquele momento estava ligada ao projeto eleitoral de Paulo Mac Donald.

Passada a eleição, porém, a relação política tomou outro rumo. Sidnei aproximou-se da administração do prefeito Joaquim Silva e Luna, adversário de Paulo Mac Donald naquela disputa.

Para seus críticos, foi uma mudança de lado em velocidade suficiente para deixar muito camaleão com inveja.

Na política, naturalmente, alianças mudam. O problema começa quando tantas mudanças fazem o eleitor precisar de GPS para descobrir onde determinado político está naquele momento.

Depois veio mais uma troca. Em 2026, Sidnei deixou o Mobiliza e migrou para o Podemos, partido pelo qual decidiu disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Paraná.

Novo partido, nova candidatura, novo discurso. Até aí, nada que a legislação partidária brasileira já não tenha visto inúmeras vezes. Mas eis que surge mais um capítulo.

Candidato do PODEMOS, Apoio para o PL?

Em sua campanha para deputado estadual, Sidnei Prestes decidiu manifestar apoio à cantora Juliana Valiati, candidata de Marechal Cândido Rondon.

E existe um detalhe politicamente curioso: Juliana não pertence ao Podemos. Ela é candidata pelo PL. Ou seja: Sidnei pede votos como candidato do Podemos enquanto abre espaço político para uma candidata de outra legenda e de outra cidade.

É aquela fidelidade partidária moderna: tão flexível que quase precisa de alongamento antes da campanha.

A pergunta, portanto, é inevitável: o Podemos sabe e concorda com esse apoio?

Mais ainda: qual é a lógica de um candidato que pretende representar Foz do Iguaçu na Assembleia ajudar eleitoralmente uma candidatura de fora do município e de outro partido?

Talvez exista uma explicação política perfeitamente razoável. Seria interessante ouvi-la.

Foz do Iguaçu dá os votos, outras cidades colhem os apoios?

Foz do Iguaçu possui eleitorado suficiente para construir representatividade própria. Mesmo assim, eleição após eleição, uma parcela considerável dos votos acaba fortalecendo candidatos de outras regiões.

Depois, quando chega a hora de cobrar investimentos, projetos e presença política em Brasília ou Curitiba, começam as lamentações sobre a suposta falta de representatividade da cidade.

Não existe milagre eleitoral. Se Foz exporta votos, também exporta poder político.

Por isso causa estranheza quando justamente alguém que pretende se apresentar como representante de Foz ajuda a promover uma candidatura externa.

O eleitor tem todo o direito de perguntar: Sidnei quer fortalecer a representação política de Foz ou montar uma rede de conveniências eleitorais pelo Paraná?

Quantas camisas cabem no mesmo armário?

Mobiliza ontem. Podemos hoje. Aproximação com o governo Silva e Luna. Agora apoio político a uma candidata do PL.

Não é necessário chamar isso de "traição" para perceber que existe uma impressionante capacidade de adaptação política.

Talvez "mobilidade ideológica" seja uma expressão mais elegante.

Ou simplesmente conveniência.

Quem ocupa mandato público não deve fidelidade cega a caciques ou partidos. Deve, acima de tudo, satisfação ao eleitor. Mas justamente por isso precisa explicar suas escolhas.

Se um candidato do Podemos prefere fortalecer eleitoralmente uma candidata do PL de outra cidade, é legítimo perguntar qual interesse político existe nessa dobradinha e quais benefícios concretos ela oferece para Foz do Iguaçu.

Porque pedir voto em casa e distribuir apoio fora dela é muito fácil. Difícil é depois explicar ao eleitor por que Foz continua reclamando que não possui força política suficiente.

Agora a pergunta mais difícil de ser respondido. O vereador Sidnei Prestes eleito por Foz do Iguaçu, com fama de ser traidor na política, porque traiu o próprio partido PODEMOS para apoiar outro candidato de outro partido? Quando é que a moralidade chegará na política. Como dizem alguns formadores de opinião; "Até bandido tem palavra, porque o político não pode ter".

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 445, página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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