Vereadora teria dito que foi "chantageada" por um secretário da Prefeitura a mudar seu voto
Por Tribuna Foz dia em Notícias
VEREADORA CHANTAGEADA?
Vereadora teria dito que foi "chantageada" por um secretário da Prefeitura a mudar seu voto
A Câmara Municipal de Foz do Iguaçu viveu mais um daqueles episódios em que a votação termina no plenário, mas a verdadeira história aparentemente começa nos corredores.
A Emenda nº 3/2026, que pretendia antecipar para outubro a eleição de renovação da Mesa Diretora, acabou rejeitada. A mudança precisava de dez votos para ser aprovada. Não conseguiu.
Até aí, democracia funcionando.
O problema veio depois.
Segundo relatos de bastidores atribuídos a vereadores e confirmados por três fontes distintas, a vereadora Marcia Bachixte teria afirmado que sofreu "chantagem" ou forte pressão política para mudar seu voto.
Se isso realmente foi dito, e principalmente se aconteceu, a história deixa de ser simples fofoca política. É uma acusação grave que precisa ser esclarecida.
O voto que mudou na hora H
A expectativa inicial era de que oito vereadores votassem contra a mudança. Marcia estaria entre eles. Porém, na hora da votação, veio a surpresa: a vereadora votou favoravelmente à alteração.
A emenda morreu mesmo assim.
Mas nasceu uma pergunta muito mais incômoda:
Por que Marcia mudou de posição?
Nos bastidores, a surpresa rapidamente virou indignação. Afinal, mudar de opinião faz parte da política. Vereador pode analisar, refletir, reconsiderar e votar como entender melhor.
O que não pode existir é mudança de voto provocada por ameaça, retaliação ou utilização da máquina pública como instrumento de pressão.
E é exatamente aí que entra a palavra explosiva que circulou depois da sessão: "chantagem".
Quem apertou o botão da pressão?
Segundo as informações recebidas, Marcia teria relatado que foi pressionada por um secretário da Prefeitura, supostamente dentro de uma movimentação de interesse do gabinete do prefeito Joaquim Silva e Luna.
É necessário registrar: até que haja comprovação documental, depoimentos formais ou investigação, essas informações devem ser tratadas como relatos e suspeitas, e não como fatos definitivamente estabelecidos.
Mas isso não torna o assunto menor.
Ao contrário.
Se uma vereadora efetivamente afirmou aos colegas que foi chantageada para mudar seu voto, ela precisa explicar publicamente quem pressionou, como pressionou e o que teria sido colocado na mesa.
Porque chantagem política não é "articulação". Ameaça não é "diálogo institucional". E usar cargos, gratificações ou procedimentos administrativos como moeda para interferir no voto parlamentar seria algo muito mais sério do que uma simples queda de braço pela Mesa Diretora.
Gratificação na mira?
Uma das hipóteses ventiladas nos bastidores envolve a filha da vereadora, servidora pública municipal, que teria recebido recentemente gratificações relacionadas às suas atribuições.
A suspeita levantada é de que esses benefícios poderiam ter entrado na conversa como instrumento de pressão.
É hipótese. Precisa ser comprovada.
Outra versão que circula menciona eventual abertura de procedimento administrativo envolvendo o marido da vereadora, recentemente aposentado.
Novamente: suspeita não é prova.
Mas quando tantas versões começam a circular depois de uma mudança inesperada de voto, silêncio deixa de ser uma boa resposta.
Se houve chantagem, quem foi o chantagista?
Aqui está o centro da questão. Marcia Bachixte precisa dizer claramente se realmente utilizou a palavra "chantagem" para explicar aos colegas sua mudança de posição.
Se não disse, deve desmentir.
Se disse no calor do momento, deve esclarecer.
Mas, se disse porque realmente foi ameaçada, precisa revelar quem fez a pressão e qual foi a ameaça.
Afinal, uma vereadora possui mandato popular. Seu voto pertence à sua consciência política e aos compromissos assumidos com a população, não ao gabinete do prefeito, não a secretário e muito menos a quem eventualmente tenha poder sobre gratificações, cargos ou procedimentos administrativos.
Diário oficial: Mera coincidência?
Para colocar ainda mais tempero nesse caldeirão político, o Diário Oficial de 4 de agosto trouxe exonerações de servidores comissionados.
Segundo informações de bastidores, alguns seriam indicações ligadas a partidos de vereadores que votaram contra a alteração da eleição da Mesa Diretora.
Pode ser coincidência?
Pode.
Mas convenhamos: na política, quando a coincidência chega logo depois de uma votação importante, ela costuma ganhar lupa, calculadora e marca-texto.
Especialmente quando os exonerados, segundo os relatos, desempenhavam normalmente suas funções.
A Câmara precisa saber o que aconteceu
A discussão agora não deveria ficar restrita a quem ganhou ou perdeu a batalha pela antecipação da eleição da Mesa.
A questão é muito maior.
Uma vereadora foi ou não foi chantageada para mudar seu voto?
Se a resposta for não, que os envolvidos esclareçam os rumores.
Se a resposta for sim, o assunto não pode morrer num cafezinho de corredor. É preciso identificar quem teria feito a pressão, quais interesses estavam em jogo e se algum instrumento da administração pública foi utilizado para tentar interferir na independência do Legislativo.
Porque eleição da Mesa Diretora é política.
Mudança de voto também é política.
Mas chantagem, se comprovada, é outra história. E essa história Foz do Iguaçu merece conhecer até o último capítulo.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 441, página 3, de autoria do Jornalista Enrique Alliana
