Vereadoras do PT estariam sendo usadas como "laranjas eleitorais"
Por Tribuna Foz dia em Notícias
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Vereadoras do PT estariam sendo usadas como "laranjas eleitorais"
A diferença entre representar e apenas caçar votos, afinal a eleição está chegando? Os deputados sumidos reapareceram
Na política brasileira existe um personagem folclórico que aparece de tempos em tempos. Não é o saci, nem a mula sem cabeça. É o famoso candidato "Copa do Mundo". Surge a cada quatro anos, tira foto, entrega figurinhas com seu rosto estampado e para alguns entrega até álbuns de fotos. Distribui abraços, promete mundos e fundos, posa de apaixonado pela cidade e, logo após a apuração das urnas, desaparece com uma velocidade que faria inveja a qualquer atleta olímpico.
"Políticos sazonais: presentes na urna, ausentes no mandato"
Em Foz do Iguaçu, o roteiro parece estar sendo reprisado mais uma vez. A novidade é que, desta vez, algumas pessoas começam a questionar se as vereadoras petistas Valentina Rocha e Yasmin Hachem realmente pretendem disputar uma vaga na Assembleia Legislativa ou se estariam apenas cumprindo o papel de cabos eleitorais de luxo para deputados que precisam desesperadamente de votos na região.
A tese que circula nos bastidores é simples: lançar candidaturas locais para abrir caminho a políticos que praticamente não possuem raízes em Foz do Iguaçu, mas que aparecem em época eleitoral como quem descobre subitamente um amor incondicional pela cidade.
"Deputados fantasmas reaparecem quando as urnas se aproximam"
É curioso observar como alguns parlamentares desenvolvem uma ligação quase sobrenatural com determinados municípios. Durante três anos e meio, a cidade parece invisível. De repente, faltando poucos meses para a eleição, começam as visitas, os eventos, as reuniões, os cafés, os discursos e as selfies. Uma verdadeira epifania eleitoral.
Vereadora Valentina Rocha
No caso da vereadora Valentina Rocha, ninguém desconhece sua proximidade política com o deputado estadual Arilson Chiorato. Agora que o parlamentar pretende voos maiores, surge uma pergunta inevitável: qual foi exatamente o legado deixado por ele para Foz do Iguaçu durante seu mandato?
A resposta costuma gerar um silêncio constrangedor. Há quem diga que a principal lembrança de sua passagem pela região estaria relacionada à ocupação de cargos e indicações políticas. Obras estruturantes? Grandes investimentos? Conquistas históricas? Os eleitores seguem aguardando a lista.
O mais curioso é que muitos moradores sequer lembram de uma presença constante do deputado na cidade ao longo dos últimos anos. Mas basta o calendário eleitoral se aproximar para que Foz do Iguaçu volte a entrar no mapa político de determinados parlamentares.
Vereadora Yasmin Hachem
Já a vereadora Yasmin Hachem protagoniza uma trajetória igualmente interessante. Após deixar o Partido Verde e ingressar no PT, passou a ser associada ao grupo político do deputado federal Zeca Dirceu. Coincidência ou estratégia, o fato é que o parlamentar também se tornou presença frequente na cidade justamente quando a disputa eleitoral começou a ganhar forma.
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A diferença entre um político de verdade e um político "Copa do Mundo"
É quase um fenômeno da natureza. As cigarras cantam no verão. As andorinhas migram em determinadas épocas do ano. E alguns deputados (Arilson Chiorato e Zeca Dirceu) descobrem uma paixão repentina por Foz do Iguaçu sempre que se aproximam as eleições.
A questão central não é sequer ideológica. Direita, esquerda ou centro são detalhes secundários diante de uma pergunta muito mais simples: por que uma cidade do tamanho e da importância de Foz do Iguaçu precisaria importar candidatos de outras regiões para representá-la?
"O calendário eleitoral ressuscita políticos desaparecidos"
Se as próprias lideranças locais afirmam defender os interesses da cidade, seria natural imaginar que apoiassem nomes verdadeiramente comprometidos com a realidade iguaçuense. Pessoas que convivem diariamente com os problemas dos bairros, acompanham as dificuldades da população e permanecem presentes mesmo quando não há um único voto em disputa.
Por isso, cresce entre parte do eleitorado a percepção de que algumas candidaturas podem estar sendo utilizadas apenas para emprestar credibilidade local a projetos políticos externos. Uma espécie de selo de garantia eleitoral para candidatos que, sozinhos, teriam dificuldade de conquistar espaço na região.
É justamente aí que surge a acusação mais pesada: a de que determinadas candidaturas não seriam construídas para vencer, mas para servir de escada a outros projetos.
Se essa percepção é justa ou não, caberá aos eleitores decidir. Afinal, as urnas costumam ser implacáveis com quem subestima a inteligência da população.
No fim das contas, a pergunta permanece sem resposta: Valentina Rocha e Yasmin Hachem estão construindo projetos políticos próprios ou apenas ajudando a pavimentar o caminho para os tradicionais candidatos "Copa do Mundo"?
"Campanha permanente para votos, ausência permanente no mandato"
Porque uma coisa é certa. Em Foz do Iguaçu, o eleitor pode até ser paciente. Mas cada vez menos gente parece disposta a aplaudir paraquedistas que desembarcam na cidade apenas quando chega a temporada de caça aos votos.
Existe uma pergunta que todo eleitor deveria fazer antes de apertar o botão da urna: onde estava esse político nos últimos quatro anos?
Parece uma pergunta simples, mas ela é capaz de separar quem realmente exerce a política como missão de vida daqueles que enxergam o eleitor apenas como um número necessário para garantir mais um mandato.
Afinal, os problemas da população não aparecem apenas em ano eleitoral. O posto de saúde continua lotado em janeiro, o buraco na rua não espera a campanha começar para surgir e a falta de segurança não tira férias até a chegada dos santinhos e das carreatas. A vida real acontece todos os dias. Por isso, quem realmente representa o povo precisa estar presente o tempo todo.
Mas existe uma espécie bastante conhecida na fauna política brasileira: o deputado "Copa do Mundo". Ele passa três anos e meio desaparecido e, de repente, reaparece com um sorriso no rosto, uma agenda lotada de reuniões e um discurso apaixonado sobre a cidade que mal visitou durante o mandato.
É quase um milagre político. Durante anos, o município parece invisível. Quando a eleição se aproxima, surge uma paixão repentina pela população, pelos bairros e pelos problemas locais. Coincidência? Talvez. Conveniente? Sem dúvida.
O mais curioso é que muitos desses parlamentares sequer conhecem a realidade da cidade onde pedem votos. Não acompanham as demandas da população, não participam das discussões importantes e não vivem os desafios enfrentados diariamente pelos moradores. Mesmo assim, aparecem prometendo soluções para tudo.
"Foz merece representantes, não turistas eleitorais"
Na prática, esses políticos não costumam prestar contas ao cidadão comum. Seus verdadeiros compromissos geralmente estão ligados aos grupos políticos, interesses partidários e financiadores que sustentam suas campanhas. O eleitor acaba sendo apenas uma etapa necessária para manter a engrenagem funcionando.
Enquanto isso, os políticos que permanecem presentes durante todo o mandato são obrigados a conviver com a cobrança diária da população. São eles que escutam reclamações, acompanham problemas e enfrentam o desgaste de quem não aparece apenas para tirar foto em época de eleição.
Por isso, a diferença entre um representante local e um político "paraquedista" não está apenas no endereço ou no título do cargo. Está no compromisso. Quem vive a cidade conhece suas dores. Quem só aparece de quatro em quatro anos conhece apenas o caminho até a urna.
E talvez seja exatamente por isso que alguns políticos adoram tanto o período eleitoral: é a única época em que precisam fingir que conhecem o povo que pretendem representar.
Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 437, páginas 4 e 5, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

