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Vereadoras Marcia Bachixte e Valentina Rocha votaram contra projeto educativo sobre drogas nas escolas

Por Tribuna Foz dia em Notícias

Vereadoras Marcia Bachixte e Valentina Rocha votaram contra projeto educativo sobre drogas nas escolas
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PROFESSORAS CONTRA A PREVENÇÃO

Vereadoras Marcia Bachixte e Valentina Rocha votaram contra projeto educativo sobre drogas nas escolas

Professoras votaram contra projeto de Lei que propõe mensagens de prevenção às drogas nos materiais escolares da rede municipal de ensino

Na política, cada voto conta. Mas alguns votos deixam marcas que dificilmente podem ser explicadas apenas por questões ideológicas. Quando duas vereadoras que construíram suas trajetórias na educação decidem votar contra um projeto de prevenção às drogas voltado às crianças da rede municipal, a perplexidade é inevitável.

Quando o silêncio no plenário fala mais alto que qualquer discurso

Foi exatamente isso que ocorreu na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu. O Projeto de Lei nº 293/2025, de autoria do vereador Soldado Fruet, propôs algo simples: utilizar a contracapa de cadernos, agendas e materiais escolares distribuídos gratuitamente pelo município para divulgar mensagens educativas sobre os riscos do uso de drogas. Nada de campanhas milionárias. Nada de aumento de despesas. Apenas informação preventiva em materiais que já seriam produzidos. Ainda assim, o projeto encontrou resistência.

O "não" das professoras

A proposta foi aprovada por dez vereadores. Porém, quatro parlamentares votaram contra: Márcia Bachixte, Valentina Rocha, Adnan El Saied e Yasmin Hachem.

O detalhe que chama atenção é que Márcia Bachixte e Valentina Rocha são professoras. Mais do que isso: Márcia Bachixte preside justamente a Comissão de Educação da Câmara.

Quem melhor do que educadores conhece os desafios enfrentados diariamente dentro das escolas?

Quem convive com alunos sabe que a prevenção sempre foi considerada uma das ferramentas mais eficientes no enfrentamento às drogas. Informar antes é muito mais inteligente do que remediar depois.

Por isso, causa estranheza que justamente representantes da área da educação tenham rejeitado uma proposta de caráter educativo.

O silêncio que virou protagonista

Em democracia, votar contra faz parte do processo legislativo. O problema não está no voto contrário. O problema começa quando esse voto não vem acompanhado de uma explicação.

Após a defesa do projeto feita pelo autor, nenhum dos vereadores que rejeitaram a proposta utilizou a tribuna para justificar sua posição.

Nenhum argumento técnico.

Nenhuma crítica ao texto.

Nenhuma sugestão de aperfeiçoamento.

Nada.

Sobrou apenas o silêncio.

E na política, o silêncio costuma ser ocupado pela interpretação da sociedade.

Uma prevenção sem custo virou motivo de rejeição

O projeto teve o cuidado de evitar qualquer impacto financeiro. A regra valerá apenas para futuras licitações. Não exige descarte de materiais existentes. Não altera contratos em vigor.

As mensagens deverão ser elaboradas em linguagem adequada para cada faixa etária, seguindo orientação do Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas.

Ou seja, trata-se de uma medida de conscientização, e não de uma campanha de choque. Diante disso, permanece a dúvida: qual foi exatamente a razão para votar contra?

Entre o discurso e a prática

É comum ouvir discursos inflamados sobre a importância da educação, da proteção às crianças e do combate às drogas. Na tribuna, todos defendem a infância. Nas redes sociais, todos publicam mensagens emocionadas sobre cuidar das novas gerações.

Mas quando chega a hora da votação, o discurso encontra o teste mais importante: o painel eletrônico. E foi justamente ali que duas representantes da educação escolheram apertar o botão contrário.

Naturalmente, um voto contrário não significa, por si só, que alguém seja favorável ao consumo de drogas. Essa conclusão não pode ser feita apenas com base no resultado da votação. Mas justamente por isso cresce a importância de explicar publicamente quais razões levaram à rejeição de uma proposta voltada à prevenção.

Sem justificativa, sobra espaço para questionamentos e interpretações.

Quem deve uma resposta?

Pais, professores e a própria comunidade escolar têm o direito de compreender as decisões tomadas por seus representantes. Se havia falhas no projeto, quais eram? Se existia alternativa melhor, qual seria? Se a proposta era inadequada, por quê? Essas perguntas permanecem sem resposta.

Enquanto isso, fica registrada uma situação difícil de ignorar: um projeto educativo, preventivo, sem aumento de custos e destinado à conscientização de crianças e adolescentes foi rejeitado justamente por duas parlamentares cuja trajetória profissional está ligada às salas de aula.

A democracia garante o direito de votar contra. Mas também exige transparência para explicar esse voto. Porque, quando representantes da educação dizem "não" a uma medida de prevenção sem apresentar qualquer justificativa pública, o debate deixa de ser apenas político.

Passa a ser uma cobrança legítima da sociedade por coerência entre o discurso, a profissão e a responsabilidade de quem foi eleito para defender o interesse público.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 439, página 8, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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