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Quem realmente manda no mandato da Vereadora Marcia Bachixte?

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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QUEM PUXA AS CORDAS?

Quem realmente manda no mandato da Vereadora Marcia Bachixte?

Chefe de gabinete da vereadora é esposa do irmão da ex-primeira dama Rosa Maria Jerônymo Lima

Na política, existe um velho ditado: quem assina nem sempre decide. Em alguns gabinetes, o voto é do parlamentar, mas o roteiro parece ser escrito por outras mãos. E quando os nomes começam a se conectar como peças de um quebra-cabeça político, a dúvida deixa de ser mera curiosidade para se transformar em uma questão de interesse público.

O gabinete de Marcia Bachixte levanta uma pergunta que a própria vereadora deveria responder

É exatamente isso que acontece quando se observa a composição do gabinete da vereadora Marcia Bachixte.

Enquanto muitos imaginavam que a vereadora contava com quatro assessores, a consulta ao Portal da Transparência revela cinco servidores lotados no Gabinete 14, todos ocupando cargos comissionados, com remunerações próximas de R$ 13 mil mensais.

Um gabinete, cinco assessores e uma coincidência que chama atenção

Até aí, nada de extraordinário. O problema surge quando se analisa quem ocupa a principal função do gabinete.

A chefe de gabinete é Maria Cristina Leal de Melo Lima.

E aí a política de Foz do Iguaçu mostra que, às vezes, o sobrenome vale mais do que um currículo.

Maria Cristina Leal de Melo Lima é esposa do irmão da ex-primeira dama Rosa Maria Jerônymo Lima.

Coincidência? Casualidade? Ou apenas mais um capítulo da velha política que insiste em trocar apenas os personagens, mantendo o mesmo roteiro?

O compadrio que não sai de cena

Não é segredo para ninguém que Rosa Maria Jerônymo Lima e Marcia Bachixte possuem uma relação de extrema proximidade, sendo publicamente tratadas como comadres.

Juridicamente, é verdade: "comadre" não é parentesco previsto na legislação. Portanto, a Súmula Vinculante nº 13 do STF, que trata do nepotismo, não alcança automaticamente essa situação.

Mas política não vive apenas de legalidade.

A Constituição também exige moralidade, impessoalidade e interesse público.

E é justamente nesse ponto que começam as perguntas incômodas.

Quando a legalidade não basta

O fato pode não caracterizar nepotismo clássico.

Entretanto, quando pessoas ligadas por relações familiares, políticas ou de extrema confiança passam a ocupar posições estratégicas em cargos comissionados, o debate deixa de ser jurídico e passa a ser ético.

A pergunta inevitável é:

A escolha ocorreu exclusivamente pela capacidade técnica? Ou a amizade e as relações pessoais pesaram mais do que qualquer critério profissional?

Na administração pública, não basta parecer correto. É preciso convencer a sociedade de que realmente foi.

Quem manda no gabinete?

Toda chefe de gabinete exerce enorme influência sobre um mandato.

Ela coordena equipe, controla agendas, orienta estratégias, filtra demandas, acompanha projetos e participa diretamente das decisões administrativas e políticas.

Ou seja, não ocupa um cargo decorativo.

Por isso, quando essa função é exercida por alguém ligado ao núcleo político da ex-primeira-dama do município, cresce uma dúvida claramente inevitável.

Marcia Bachixte exerce um mandato verdadeiramente independente?

Ou parte das decisões continua orbitando em torno do antigo grupo político?

As sombras do nepotismo cruzado

Especialistas lembram que o nepotismo cruzado não depende apenas de parentesco direto. Quando existe troca de favores, utilização de pessoas próximas ou nomeações destinadas a preservar influência política, a situação pode atrair o olhar dos órgãos de controle. Não se afirma que isso ocorreu.

Mas a composição do gabinete cria um cenário que, no mínimo, desperta questionamentos legítimos. E perguntas não são acusações. São exatamente o combustível da fiscalização pública.

O silêncio alimenta as suspeitas

Talvez exista uma explicação simples para tudo isso. Talvez Maria Cristina Leal de Melo Lima tenha sido escolhida exclusivamente por sua qualificação técnica.

Talvez todas as coincidências sejam apenas... coincidências.

Mas enquanto nenhuma justificativa transparente for apresentada, permanecerá ecoando uma pergunta que não sai da cabeça do contribuinte:

Quem realmente conduz o mandato de Marcia Bachixte?

Porque, na política, há uma máxima impossível de ignorar: quando os laços pessoais aparecem com mais força do que os critérios técnicos, a confiança pública começa a pedir explicações. E, em democracia, prestar contas não é um favor e sim uma obrigação.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 439, página 9, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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