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Sai um PRF, entra um PM e a "Industria da Multa" segue funcionando no FOZTRANS

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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MULTÔMETRO MUNICIPAL

Sai um PRF, entra um PM e a "Industria da Multa" segue funcionando no FOZTRANS

Mudou o comandante, mas a banda continua tocando a mesma música. Há poucos dias, o policial rodoviário federal Maxwell Lucena deixou o comando do Foztrans (Instituto de Transporte e Trânsito de Foz do Iguaçu) após apenas quatro meses à frente do instituto. Em seu lugar assumiu o tenente-coronel da Polícia Militar Marcos Aparecido de Souza.

"Mudou o comandante, não o apetite arrecadatório"

A troca de nomes ocorreu rapidamente, quase como uma substituição de peças numa engrenagem que não pode parar. Afinal, quando se trata da arrecadação do trânsito, qualquer interrupção parece ser considerada um risco desnecessário.

A pergunta que muitos motoristas fazem é simples: com a mudança na chefia, mudou alguma coisa na prática? Pelo menos para quem circula diariamente pelas ruas de Foz do Iguaçu, a resposta parece ser um sonoro "não".

"Foztrans mantém tradição: arrecadar continua sendo prioridade?"

O Foztrans insiste em afirmar que sua missão é organizar o trânsito, promover a mobilidade urbana e garantir a segurança viária. Um discurso bonito, institucional e tecnicamente impecável. O problema é que, para muitos cidadãos, a impressão é de que a principal eficiência do sistema está na velocidade com que consegue transformar uma vaga de estacionamento em boleto.

"Em Foz do Iguaçu, a tolerância estacionou e a multa acelerou"

O caso ocorrido na Rua Osvaldo Cruz, na Vila Portes, na última quarta-feira, 17 de junho de 2026, ilustra bem essa sensação. Segundo imagens registradas por câmeras de segurança da loja, uma motorista estacionou seu veículo às 09h59min53seg. Apenas dois minutos e vinte e dois segundos depois, às 10h02min15seg, a autuação já havia sido realizada.

Sim, você leu corretamente: pouco mais de dois minutos. Curiosamente, o próprio sistema ESTARFI é divulgado com a informação de que existe uma tolerância para que o motorista registre e ative o estacionamento rotativo. Uns falam em dez minutos. Outros garantem que seriam quinze. Talvez a tolerância exista apenas em algum manual escondido numa gaveta do órgão, porque nas ruas ela parece ter sido substituída pelo cronômetro olímpico da arrecadação.

Quando a condutora procurou a agente para explicar a situação, recebeu uma resposta digna da burocracia moderna: "Já foi multada. Se quiser pagar agora, é R$ 20." Prático, objetivo e eficiente. O processo inteiro durou menos tempo do que um pedido de café numa cafeteria movimentada.

Naturalmente, sempre haverá quem argumente que não existe indústria da multa. Os especialistas costumam dizer que o problema não está na fiscalização, mas na quantidade de infrações cometidas pelos motoristas. E eles têm razão quando defendem a importância das regras de trânsito.

Mas também é verdade que qualquer política pública perde legitimidade quando a população passa a enxergar o fiscal como um cobrador e a fiscalização como uma armadilha.

"Se a multa fosse remédio, Foz estaria curada há tempos"

O mais preocupante é que situações como essa acabam alimentando exatamente a narrativa que os gestores públicos afirmam combater. Afinal, se existe tolerância, por que ela aparentemente não foi respeitada? Se não existe tolerância, por que o próprio sistema continua gerando essa expectativa nos usuários?

São perguntas simples que merecem respostas simples.

Enquanto isso, a população assiste à troca de chefes, superintendentes e comandantes sem perceber qualquer mudança na relação entre o órgão e o cidadão. Sai um PRF, entra um PM, mudam-se os nomes nas portas dos gabinetes, mas a sensação de que o motorista continua sendo tratado como fonte de arrecadação permanece intacta.

"Enquanto a cidade espera soluções, a multa não espera ninguém"

Talvez o verdadeiro problema não esteja na farda de quem assume o comando. Talvez esteja numa cultura administrativa que parece acreditar que a educação no trânsito pode ser substituída pela punição instantânea e que a confiança do cidadão pode ser conquistada através de notificações e cobranças.

E assim segue o trânsito em Foz do Iguaçu: congestionado de dúvidas, estacionado na transparência e acelerado quando o assunto é multar.

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 437, página 16, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

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