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Sindicato denuncia horror e abandono na psiquiatria do Hospital Municipal

Por Tribuna Foz dia em Notícias

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DESUMANO

Sindicato denuncia horror e abandono na psiquiatria do Hospital Municipal

As denúncias apresentadas escancaram uma realidade vergonhosa e revoltante

O que deveria ser um setor de acolhimento e tratamento especializado parece ter se transformado em um verdadeiro depósito humano dentro do Hospital Municipal Padre Germano Lauck. As denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Foz do Iguaçu e Região escancaram uma realidade vergonhosa e revoltante na ala psiquiátrica da unidade hospitalar. Em pleno século XXI, enquanto discursos políticos prometem modernidade, humanização e excelência na saúde pública, trabalhadores e pacientes convivem diariamente em condições que remetem aos tempos mais sombrios da saúde mental brasileira.

Hospital Municipal é alvo de denúncias por abandono psiquiátrico

Segundo os relatos encaminhados ao sindicato, o cenário encontrado no setor lembra o infame Hospital Colônia de Barbacena, símbolo nacional de abandono, maus-tratos e desumanização. A diferença é que agora não estamos falando de um capítulo antigo dos livros de história, mas de uma realidade atual, funcionando diante dos olhos de autoridades que parecem especializadas na arte de fingir que nada acontece.

A descrição feita pelos servidores é assustadora. Ambientes sem ventilação adequada, calor sufocante, ausência de janelas e um cheiro constante de fezes e urina fazem parte da rotina de quem trabalha e de quem precisa de tratamento. O local, que deveria representar cuidado e recuperação, tornou-se um ambiente de sofrimento coletivo. Enquanto isso, gestores provavelmente seguem em salas climatizadas, debatendo protocolos, metas e apresentações coloridas em PowerPoint sobre "humanização".

Os profissionais da saúde relatam adoecimento físico e emocional diante do abandono estrutural da ala psiquiátrica. Muitos pacientes, segundo os trabalhadores, acabam esquecidos até pelas próprias famílias, permanecendo internados sem qualquer suporte emocional digno. A sensação descrita é de invisibilidade absoluta. Afinal, parece que a saúde mental continua sendo tratada como um problema que precisa ser escondido atrás de paredes mofadas e corredores abafados.

SEESSFIR cobra dignidade em setor marcado por abandono e descaso

E no meio desse caos institucionalizado, quem aparece para denunciar, cobrar e enfrentar a situação? O sindicato. Mais uma vez, o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Foz do Iguaçu e Região assume o papel que deveria ser das autoridades fiscalizadoras e da própria administração pública. Enquanto muitos preferem o confortável silêncio burocrático, a entidade sindical expõe a realidade nua e crua enfrentada pelos trabalhadores da saúde e pelos pacientes.

As denúncias também revelam a ausência de segurança dentro da ala psiquiátrica, além da completa falta de investimentos estruturais e humanos. Servidores relatam pressão psicológica, sobrecarga extrema e um sentimento constante de abandono institucional. Em outras palavras, além de enfrentarem condições desumanas, ainda precisam lidar com a velha política da intimidação silenciosa: trabalhar calado, adoecer quieto e agradecer por ainda ter emprego.

A nota do sindicato é direta e necessária ao classificar a situação como uma vergonha. E de fato é. Vergonha para a gestão hospitalar, vergonha para o poder público e vergonha para todos aqueles que transformaram um setor tão sensível em um espaço de sofrimento contínuo.

Entre o caos e o abandono: a dura realidade da psiquiatria

O mais revoltante é perceber que, enquanto trabalhadores lutam diariamente para manter o mínimo de dignidade no atendimento, parece faltar vontade política para resolver o problema. Afinal, inaugurar placas e gravar vídeos institucionais rende muito mais visibilidade do que encarar corredores abafados, paredes deterioradas e o abandono de pessoas vulneráveis.

O trabalho realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Foz do Iguaçu e Região merece reconhecimento justamente por romper o silêncio conveniente que costuma cercar situações como essa. Sem a atuação firme da entidade, talvez o sofrimento dos trabalhadores e pacientes continuasse escondido atrás das portas da ala psiquiátrica, invisível para a sociedade e confortável para quem administra o caos à distância.

A grande pergunta que fica é: até quando a dignidade humana continuará sendo tratada como detalhe dentro da saúde pública de Foz do Iguaçu?

Esta é uma reprodução da matéria jornalística publicada pelo Jornal Tribuna Popular, Edição 435, página 10, de autoria do Jornalista Enrique Alliana

 

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